
Peters Hughes
TSF - Andreia Nogueira
Algumas das vítimas do atentado de há dez anos em Bali, que fez 202 mortos, dizem que se sentem culpadas por estarem vivas, segundo Peter Hughes, que fundou uma associação para ajudar os queimados, a Peter Hughes Burn Foundation.
Peter Hughes quis outro papel na história dos atentados de Bali. Foi dizendo que estava bem enquanto ajudava os outros, mas tinha queimaduras em mais de metade do corpo. Acabou duas semanas e meia em coma e, por três vezes, os médicos declaram-no morto.
O australiano demorou dois anos a recuperar totalmente, mas as feridas que permanecem são partilhadas com outras vítimas, como um sentimento de culpa por estar vivo.
Há três anos, o australiano decidiu criar uma fundação para apoiar os queimados de todo o mundo. À TSF, disse que muitas vezes os queimados aparentam estar bem por fora, mas por dentro estão a sofrer.
Nem quem começa uma nova vida passa um dia sem lembrar a anterior. É o caso de Ratniti Asih, que perdeu o marido nos atentados.
«Ainda estou triste, porque no consigo esquecer tudo o que se passou na minha família. Ainda estou confusa. Por vezes, só me apetece chorar. É difícil esquecer. Eu lembro-me de tudo. Os meus filhos eram muito novos e eu só pensava como é que podia tomar conta de três crianças por mim própria sem emprego e sem dinheiro», recordou.
Com a ajuda de um australiano, Ratniti Asih conseguiu apoios financeiros para a família, voltou a casar e agora vive na Austrália. Por isso, hoje diz que até teve alguma sorte no meio de todo o azar.