Autoridades de Donetsk apelam a que habitantes abandonem a região

O governador da região de Donetsk alerta que é necessário retirar as pessoas para salvar vidas e permitir que o exército ucraniano defenda melhor as cidades do avanço russo.

O governador da região de Donetsk, na Ucrânia, Pavlo Kyrylenko, apelou esta quarta-feira aos seus 350.000 habitantes para fugirem, enquanto a Rússia aumenta a ofensiva e são emitidos alertas aéreos em quase todo o país.

Pavlo Kyrylenko disse que é necessário retirar as pessoas da província de Donetsk para salvar vidas e permitir que o exército ucraniano defenda melhor as cidades do avanço russo.

"O destino de todo o país será decidido pela região de Donetsk", vincou, em declarações a jornalistas em Kramatrosk, o centro administrativo regional ainda sob controlo ucraniano.

O presidente ucraniano, Volodymr Zelensky, explicou que foram emitidos hoje à noite alertas aéreos em quase todo o país, em vários lugares depois de um longo período de relativa calma durante o qual as pessoas procuraram uma explicação.

"Não se deve procurar lógica nas ações dos terroristas", disse Zelensky num discurso, em vídeo, acrescentando que "o exército russo não faz pausas", já que "tem uma tarefa: tirar a vida das pessoas, intimidar as pessoas -- para que mesmo alguns dias sem alarme aéreo já pareçam parte do terror".

O governador de Kramatorsk disse que, por abrigar uma infraestrutura crítica, como plantas de filtragem de água, os principais alvos da Rússia agora são esta cidade e a cidade de Sloviansk.

Pavlo Kyrylenko descreveu o bombardeamento como "muito caótico" sem "um alvo específico... apenas para destruir a infraestrutura civil e áreas residenciais".

Já esta manhã, as autoridades ucranianas de Sloviansk apelaram aos civis para abandonarem rapidamente esta cidade do leste da Ucrânia, onde as forças russas mataram hoje duas pessoas na sua ofensiva para a conquista do Donbass.

O governador da região de Donetsk disse no serviço de mensagens Telegram que também sete pessoas ficaram feridas no ataque russo, que teve como alvo o mercado central da cidade.

"Mais uma vez, os russos estão a visar intencionalmente os locais onde os civis se reúnem. Isto é terrorismo puro e simples", disse Kyrylenko, citado pela agência noticiosa francesa AFP.

A Rússia anunciou que as suas forças assumiram o controlo de Lugansk com a conquista das cidades de Severodonetsk e Lysychansk.

Ao celebrar a vitória em Lugansk, o Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou ao seu ministro da Defesa, Serguei Shoigu, que as forças armadas prosseguissem com a ofensiva em Donetsk.

Em 2014, forças pró-russas com apoio de Moscovo iniciaram uma guerra separatista em Donetsk e Lugansk, cuja declaração unilateral de independência foi reconhecida por Putin dias antes da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

Putin disse, na altura, que estava a responder a um pedido de ajuda das autoridades das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.

A guerra a Ucrânia, que entrou hoje no 132.º dia, provocou um número por determinar de baixas civis e militares.

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