Brasil quer mudar? "Há mudanças para pior", avisa Bolsonaro

Bolsonaro diz que o Brasil "pode perder a liberdade" se virar à esquerda.

De semblante carregado e vestido de camisa negra, Jair Bolsonaro justificou a derrota na primeira volta das presidenciais brasileiras com muitos votos associados à "vontade de mudar" associada à escalada da inflação e outros problemas alheios à política interna.

Muitos perderam poder de compra "por conta do fica em casa" durante a pandemia, aponta Bolsonaro, lembrando que sempre se opôs à medida, ao contrário dos outros chefes de Estado mundiais. E "o povo só não passou fome" graças ao apoio do Estado, reforça.

"Mas há muitas mudanças que podem vir para pior", avisou o Presidente brasileiro em conferência de imprensa no exterior do Palácio da Alvorada.​​​​​​ "Vamos mostrar melhor à população brasileira" que o país está a enfrentar dificuldades associadas a fatores externos, como a guerra e a pandemia, e "que a mudança que porventura alguns querem pode ser pior".

Todos os países da América do Sul que se mudaram de governações para a esquerda sofreram consequências a nível económico, alega. "Preocupa-me o Brasil perder a sua liberdade, o Brasil caminhar com a esquerda nos caminhos da Venezuela, Argentina, Chile, Nicarágua."

"Tentámos mostrar esse outro lado, mas parece que não atingiu a camada mais importante", reiterou.

"Vou cuidar da minha vida"

"Vencemos a mentira no dia de hoje", afirmou ainda o Presidente brasileiro, lembrando que as sondagens previam uma vitória de Lula à primeira volta.

"Acho que se desmoralizou de vez os institutos de pesquisa. Datafolha estava a dar 51% a 30% e poucos, a diferença foi de 4%. Então, isso tudo ajuda a levar voto para o outro lado", sublinhou.

Bolsonaro foi várias vezes questionado se considera que existiu fraude eleitoral, mas evitou sempre responder. Quando um jornalista tentou insistir na pergunta, levantando a voz, Bolsonaro respondeu-lhe apenas: "Não grite, seja educado".

Acabou, mais à frente na conversa, por prometer aceitar os resultados caso saia derrotado, desta ou de uma próxima eleição.

"Quando não for reeleito vou cuidar da minha vida, tenho 67 anos" e duas "aposentadorias".

"Mas acho que posso dar um pouco mais de mim pela minha pátria", ressalva.

Por outro lado, Bolsonaro afirma estar a aguardar "o parecer da defesa" face a eventuais situações de fraude, uma vez que não exclui a possibilidade de manipulação das urnas eletrónicas.

O Presidente recandidato espera voltar para a rua em campanha a partir de terça-feira, mas sem garantias: "ainda nem achei namorada para casar e já querem saber o nome da criança", ironiza.

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