Britânicos capturados por russos pedem para serem trocados por oligarca

Famílias de Shaun Pinner e Aiden Aslin garantem que os dois homens não são mercenários e devem ser tratados como prisioneiros de guerra.

Shaun Pinner e Aiden Aslin, dois combatentes britânicos capturados pelas forças de Moscovo na Ucrânia, apareceram na emissão da Rossiya 24, televisão estatal russa, onde pediram para serem trocados por Viktor Medvedchuk, um oligarca pró-russo. Falaram separadamente, depois de incentivados por um homem não identificado.

Os dois homens pediram ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que os ajudasse a regressarem a casa. Estas intervenções surgem depois de o oligarca Medvedchuk também ter pedido para ser trocado num vídeo divulgado pelos serviços secretos ucranianos.

As famílias dos britânicos garantiram que os dois homens não são mercenários e, por isso, devem ser tratados como prisioneiros de guerra, de acordo com a Convenção de Genebra.

Pinner, um ex-soldado do exército britânico, apareceu cansado no vídeo da televisão estatal russa, em que contou ter sido capturado em Mariupol, enquanto lutava. O homem de 48 anos revelou que combatia na cidade há seis semanas, mas agora está na região separatista de Donetsk.

Noutro vídeo, que segundo a Sky News mostrava ter sido alvo de bastantes edições, Pinner, natural de Bedfordshire, pareceu ter sido questionado por um jornalista russo sobre a forma como foi capturado.

"Estávamos na zona fabril de Mariupol. Na madrugada de terça-feira foi decidido que nos mudavamos da zona da fábrica, mas não sabíamos exatamente para onde. Por volta das 4h da manhã saímos da fábrica", respondeu Shaun Pinner.

Num comunicado divulgado pelo Foreign, Commonwealth & Development Office (FCDO), a família de Pinner explicou como o britânico se envolveu na defesa da Ucrânia, que considera ser "o seu país adotivo".

"O Shaun era um soldado respeitado dentro do exército britânico, servindo no Regimento Anglian Real durante muitos anos. Serviu em muitas missões, incluindo na Irlanda do Norte e com as Nações Unidas, na Bósnia. Em 2018, Shaun decidiu mudar-se para a Ucrânia, para usar a sua experiência e treino dentro das forças armadas ucranianas. Desfrutou do modo de vida ucraniano e considerou a Ucrânia como o seu país adotivo nos últimos quatro anos. Durante esse tempo, conheceu a sua mulher, ucraniana, que está muito focada nas necessidades humanitárias do país. (...) Gostaríamos de deixar claro que não é voluntário nem mercenário, está sim oficialmente ao serviço do exército ucraniano, de acordo com a legislação ucraniana", pode ler-se na nota da família.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico está em contacto com as famílias dos dois combatentes. No entanto, a capacidade do país para obter informações e prestar serviços consulares no terreno tem sido severamente limitada pelo conflito.

A ofensiva militar da Rússia na Ucrânia já matou quase dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra causou a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, mais de cinco milhões das quais para os países vizinhos. A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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