Canal da Mancha. Londres e Paris assumem urgência em unir esforços e impedir travessias ilegais

Os dois governantes - Macron e Johnson - reconheceram a necessidade de evitar que grupos de migrantes coloquem a sua vida em perigo, ao tentarem passar o Canal da Mancha.

Londres e Paris admitiram na quarta-feira que há "urgência" em aumentar os esforços conjuntos para impedir as travessias ilegais de migrantes no Canal da Mancha, após um naufrágio onde, segundo os últimos dados oficiais, morreram 27 pessoas.

Numa conversa telefónica, o Presidente de França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, "concordaram com a urgência em aumentar os esforços conjuntos para evitar estas travessias".

Segundo um porta-voz de Downing Street, os dois governantes reconheceram também a necessidade de evitar que grupos de migrantes coloquem a sua vida em perigo, ao tentarem passar o Canal da Mancha.

Macron e o ministro do Interior francês tinham anunciado a morte de 31 migrantes naquela tragédia ao largo de Calais, mas o número foi, mais tarde, oficialmente fixado nos 27 mortos e dois sobreviventes pelo Governo francês, segundo noticiou a estação emissora France Info.

A autoridade marítima francesa divulgou em comunicado que, excluindo os números daquele naufrágio, ao longo do dia foram resgatadas outras 106 pessoas naquela região, em outras operações de resgate.

Emmanuel Macron e Boris Johnson prometeram também na quarta-feira novas medidas para travar as travessias ilegais de migrantes no Canal da Mancha.

Afirmando-se "chocado, revoltado e profundamente triste" com o mais recente naufrágio no Canal da Mancha, Johnson afirmou que o Governo britânico tem tido "dificuldade em persuadir alguns parceiros, especialmente os franceses, a agirem à altura da situação".

"Mas entendo as dificuldades que todos os países estão a enfrentar", disse Johnson, após uma reunião de crise em Downing Street.

"O que queremos agora é fazer mais, juntos. É isso que estamos a propor", acrescentou o primeiro-ministro britânico, referindo-se à cooperação com o Governo francês.

"Este desastre destaca o quão perigoso é cruzar o Canal da Mancha desta forma. Também mostra como é vital intensificar os nossos esforços para quebrar o modelo de negócio dos contrabandistas que enviam pessoas para o mar dessa forma", acusou Boris Johnson.

"Digo aos nossos parceiros do Canal que chegou o momento de todos nos mobilizarmos, trabalharmos juntos para fazer tudo o que for possível para acabar com esta situação", acrescentou o líder britânico.

O Presidente de França, Emmanuel Macron, referiu esta quinta-feira que o seu país não irá permitir que o Canal da Mancha "se torne num cemitério".

O chefe de Estado francês pediu "o reforço imediato dos recursos da agência Frontex nas fronteiras externas da União Europeia" e apelou também a "uma reunião de emergência dos ministros europeus com a pasta do desafio da migração".

Quatro pessoas suspeitas de tráfico e de estarem "diretamente ligadas" ao naufrágio foram detidas ainda na quarta-feira, revelou o ministro do Interior francês Gerald Darmanin.

"Os principais responsáveis por esta situação desprezível são contrabandistas", referiu o ministro do Interior francês, citado pela agência AFP.

Gerald Darmanin apelou também a uma "resposta internacional coordenada" a esta tragédia "que afeta todos".

Esta tragédia é a mais mortal desde o aumento, em 2018, das travessias migratórias do Canal da Mancha, face ao crescente bloqueio do porto de Calais e do túnel utilizado até então por migrantes que tentavam chegar a Inglaterra.

Estas travessias são objeto de tensões regulares entre Paris e Londres, já que as autoridades britânicas consideram insuficientes os esforços desenvolvidos pelo lado francês para impedir os migrantes de embarcar, apesar do pagamento de uma ajuda financeira.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de