Fome em Moçambique leva população a recorrer a "folhas de árvores" para se alimentar

Comunidades religiosas são fundamentais para a ajuda à população mais pobre do norte de Moçambique, que piorou com a pandemia e a situação de Cabo Delgado.

A fome a pobreza alastram-se a olhos vistos no norte de Moçambique. A região tem sido das mais afetadas devido à situação que se vive em Cabo Delgado, zona que tem estado no centro da violência terrorista no país.

Nessas zonas, a ajuda das comunidades religiosas tem sido essencial. A Irmã Mónica Moreira da Rocha, responsável pela Casa do Imaculado Coração de Maria, na Paróquia da Cerâmica, em Lichinga, província de Niassa, relatou à TSF o cenário da região: "Há pessoas que nos chegam a pedir algum alimento e que depois ficam quatro, cinco dias sem comer ou comem muito pouco."

A população, quando não tem mais nenhum alimento, improvisa e faz uma alimentação "à base da chima, que é a farinha, e depois, como caril, utiliza verdura que quando não têm dinheiro para ir ao mercado, recorrem a folhas de árvores", conta a responsável pela comunidade religiosa da região.

Mónica Rocha refere que a região, por si só "já era pobre", mas piorou com a pandemia e a situação de Cabo Delgado. "A população vive do que produz do campo e as possibilidades para vingar na vida não são muitas" e "nem toda a gente" tem possibilidade de arranjar um trabalho melhor.

Durante os próximos dois dias, Bruxelas acolhe a oitava cimeira entre a União Europeia e a União Africana. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen já anunciou um pacote de 150 mil milhões de euros para ajudar o continente africano.

"A Europa deu bastante dinheiro para ajudar os países em África", confirma Mónica Moreira da Rocha, mas confessa que sabe que "esse valor não chega a muita gente ou, se chega, é uma pequena amostra" do total. Por isso, acredita que apenas "uma pequena percentagem" deste pacote será aplicada "ao fim a que é destinado".

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