Cinemateca francesa homenageia obra de Paulo Branco, o camaleão do cinema

O produtor de cinema Paulo Branco é homenageado na Cinemateca Francesa com uma retrospetiva da sua obra. Com 287 filmes produzidos, a obra do português é reconhecida em Paris.

No catálogo de Paulo Branco destacam-se dezenas de cineastas que deram os primeiros passos ao lado do produtor, porque "os primeiros filmes são quase sempre uma promessa". "Um produtor não é autor direto dos filmes", o mais importante "é que os filmes tenham existido", explica Paulo Branco.

É o primeiro produtor independente a ser homenageado pela segunda vez pela cinemateca francesa em Paris. "Esta homenagem é uma forma de relembrar o relacionamento que tive com todos os realizadores com quem trabalhei. É também um prazer poder falar desse percurso, de como esses filmes nasceram, e do facto de, ainda agora, ter prazer em fazer filmes. Cada filme é uma aventura particular".

No catálogo de Paulo Branco não há regras. O acaso e o azar, mas sobretudo os encontros pessoais, as leituras de argumentos ou ideias - que surgem em contextos informais - fizeram com que o caminho do maior produtor de filmes europeus se cruzasse com Raoul Ruiz, Chantal Akerman, Wim Wenders, Alain Tanner, Manoel de Oliveira, Pedro Costa, João César Monteiro, João Botelho. Paulo Branco transformou atores em realizadores como Piccoli, Ardant, Corsini, Amalric, uma lista que parece não ter fim.

"É fascinante porque é uma maneira de conhecer pessoas absolutamente excecionais e de partilhar momentos com elas, aventuras conjuntas, e isso é extremamente gratificante. Houve alturas em que trabalhava com o Raoul Ruiz, a Chantal Akerman, o João César Monteiro e o Manoel de Oliveira. Nessa altura, tinha que ser quase como um camaleão. A cada dez minutos, tinha de mudar de pele para estar e entrar no universo deles", lembra.

Paulo Branco deu oportunidades a dezenas de novos cineastas e destaca que os primeiros filmes são sempre uma promessa: "Para mim, sempre foi extremamente importante acompanhar o trajeto de grandes realizadores e dar oportunidades a novos cineastas".

Cada filme nasce de um momento particular, explica o produtor, lembrando que os filmes nascem sobretudo "de um momento de relacionamento com os realizadores ou de desafios que fazem em relação a projetos que interessam".

Com quase 300 filmes produzidos, a palavra "resistência", Paulo Branco encontrou-a no cinema mas também no hipismo. "A minha atividade está ligada à atividade hípica, porque é uma prova de resistência, e essa resistência encontra-se também no cinema e é aí que elas se relacionam."

Até dia 19 de julho, a Cinemateca francesa projeta um panorama de 36 filmes, que traçam o percurso do produtor português com mais de 40 anos em exercício. Filmes como "A cidade branca", de Alain Tanner, "O estado das coisas", de Wim Wenders, "Casa de lava", de Pedro Costa, "Branca de neve", de João César Monteiro, e "Cosmopolis", de David Cronenberg.

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