Especialistas apontam para custos altos para a Rússia após conquista de Lugansk

Vladimir Putin já reconheceu que as suas tropas precisam de "descansar um pouco e reforçar a sua capacidade de combate".

Após mais de quatro meses de conflitos, a Rússia reivindicou controlo total da região ucraniana de Lugansk (leste) com a conquista das cidades de Severodonetsk e Lysychansk, mas, segundo especialistas, teve um custo muito alto para Moscovo.

A questão que impõem agora é se a Rússia consegue reunir a força suficiente para completar a captura do Donbass e conquistar outras zonas da Ucrânia.

"Sim, os russos tomaram a região de Lugansk, mas a que preço?", questionou o analista militar em território ucraniano Oleh Zhdanov, observando que algumas unidades russas já perderam até metade dos seus militares.

Até o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu na segunda-feira que as suas tropas precisam de "descansar um pouco e reforçar a sua capacidade de combate".

Isso levanta dúvidas sobre se as forças de Moscovo e os seus aliados separatistas estão preparados para avançar rapidamente em Donetsk, a outra região que faz parte do Donbass.

Oleh Zhdanov prevê que os russos provavelmente irão confiar no seu poder de fogo para "aplicar as mesmas táticas de terra arrasada e explodir cidades inteiras" em Donetsk.

Moscovo não tem atualizado uma contagem de baixas desde que indicou que cerca de 1.300 militares foram mortos no primeiro mês de conflitos, mas as autoridades ocidentais disseram que isso foi apenas uma fração das perdas reais.

Desde então, especialistas notaram que o número de tropas russas diminuiu, refletindo tanto o forte atrito como o fracasso do Kremlin em preencher as fileiras.

Se a Rússia vencer no Donbass, poderá aproveitar a tomada da região sul de Kherson e zona vizinha de Zaporijia para tentar eventualmente cortar costa ucraniana do mar Negro até à fronteira romena. Se isso acontecer, será um golpe esmagador para a economia da Ucrânia e também criará um corredor para a região separatista pró-russa da Transnístria, na Moldova, que abriga uma base militar de Moscovo.

"Todas as opções estão abertas", resumiu o diretor académico da Fundação Mediterrâneo para Estudos Estratégicos (FMES), Pierre Razoux.

Mas "o rolo compressor funciona bem perto das suas fronteiras, dos seus centros logísticos e das suas bases aéreas", salientou Pierre Razoux, sublinhando que "quanto mais [os russos] avançam, mais complicado fica".

Os russos tomaram rapidamente a cidade Kherson (sul), durante os primeiros dias de conflito, mas a situação nas margens do mar Negro não se estabilizou.

"A guerra no sul -- e a libertação dos portos ucranianos controlados pelos russos -- é uma frente de importância estratégica muito maior" do que o Donbass, disse o antigo general australiano Mick Ryan.

O controlo da costa daria a Moscovo a continuação territorial com a Crimeia, anexada em 2014, e acesso aos portos ucranianos no mar Negro.

"O objetivo da Rússia é continuar a esmagar as forças ucranianas até que o apoio político à Ucrânia diminua no Ocidente", argumentou Colin Clarke, diretor de investigação do Soufan Center, think-tank de Nova Iorque (Estados Unidos).

Mas, no entanto, os especialistas dizem que Vladimir Putin tem várias razões para querer acabar com a guerra.

"Putin vai ser forçado a negociar em algum momento, tinha mais olhos do que barriga", disse Colin Clarke.

O chefe de Estado russo deverá encontrar uma frente desunida, dentro da classe política ucraniana, porque, mesmo que o Presidente Ucrânia, Volodymyr Zelensky, cedesse o Donbass para comprar a paz, a sua ala direita e os seus generais iriam "recusar qualquer compromisso com a Rússia", sublinhou Pierre Razoux, acrescentado que "podem tolerar o conflito congelado, mas não a derrota".

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