EUA garantem resposta "decisiva" caso Rússia movimente armamento para Cuba e Venezuela

A Rússia não descarta um deslocamento de "equipamentos militares" para Cuba e Venezuela caso aumentem as tensões com os Estados Unidos. Para o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, as declarações russas podem ser apenas 'bluff'.

Os Estados Unidos garantiram esta sexta-feira que vão responder "decisivamente" caso a Rússia movimente equipamentos militares para Cuba e Venezuela, cenário admitido hoje por Moscovo e que a NATO já classificou como "preocupante".

Um alto responsável russo não descartou um deslocamento de "equipamentos militares" para Cuba e Venezuela caso aumentem as tensões com os Estados Unidos.

Mas este tema não foi discutido durante as conversas mantidas entre Washington e Moscovo na última semana, assegurou o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan.

Para Sullivan, as declarações russas podem ser apenas 'bluff' e não devem ser levadas muito a sério.

"Se a Rússia seguir essa direção, lidaremos com isso de forma decisiva", assegurou o norte-americano durante uma conferência de imprensa na Casa Branca.

O presidente do comité militar da NATO, Rob Bauer, classificou como "preocupante" a possível movimentação de equipamentos militares para Cuba ou Venezuela.

"Não é território da NATO, Venezuela e Cuba, mas posso imaginar que existam países, aliados, preocupados com essa possibilidade", sublinhou Bauer em conferência de imprensa no final de uma reunião dos responsáveis pela Defesa da Aliança Atlântica.

Rob Bauer insistiu que será "preocupante" se a Rússia levar mísseis para outros países que possam ter impacto na segurança.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov, disse hoje em declarações à televisão RTVI TV que "não confirma nem exclui" a possibilidade de a Rússia enviar equipamentos militares para Cuba e Venezuela no caso de falhanço das conversações e de um aumento da pressão dos EUA sobre a Rússia, indicou a agência noticiosa Associated Press (AP).

Riabkov, que conduziu a delegação russa nas conversações com os Estados Unidos em Genebra na passada segunda-feira, notou que "tudo depende da ação" dos EUA, assinalando que o Presidente russo Vladimir Putin já avisou que Moscovo pode adotar medidas técnico-militares caso Washington provoque o Kremlin e acentue a sua pressão militar.

"O principal problema é que os EUA e a NATO não estão dispostos a efetuar qualquer concessão de qualquer espécie sobre os pedidos chave", sublinhou Ribakov.

Nas suas declarações, o mesmo responsável também indicou que a Rússia não perspetiva no imediato a utilidade de uma nova ronda de discussões com o ocidente, atendendo às profundas divergências sobre as exigências russas em termos de segurança e a Ucrânia.

Riabkov voltou a assegurar que os EUA e a NATO disseram "não" às sugestões russas sobre garantias de segurança na Europa, em particular o fim do alargamento da NATO em direção a leste, a instalações de infraestruturas militares aliadas junto às suas fronteiras "e o seu regresso aos limites de 1997".

Rússia e o Ocidente não alcançaram qualquer compromisso firme no decurso das conversações que decorreram esta semana em torno das tensões na Ucrânia.

As conversações Rússia-Estados Unidos na segunda-feira em Genebra (Suíça) e a reunião de quarta-feira em Bruxelas entre as autoridades russas e a NATO não registaram avanços significativos, apesar de as partes terem admitido a possibilidade de futuros contactos sobre o controlo de armamento e formas de impedir incidentes militares entre Moscovo e o Ocidente.

As conversações decorreram num momento em que cerca de 100.000 tropas russas permanecem concentradas perto da forneira com a Ucrânia, segundo responsáveis ocidentais.

Esta movimentação militar suscitou preocupações em Kiev e no Ocidente sobre os eventuais preparativos para uma invasão.

Moscovo tem negado estar a ponderar uma invasão e por sua vez acusa o Ocidente de ameaçar a sua segurança ao posicionar tropas e equipamento militar no Europa central e de leste.

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