Joséphine Baker no Panteão: "Aqui estou eu de novo, Paris. Não nos vemos há muito tempo"
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Joséphine Baker no Panteão: "Aqui estou eu de novo, Paris. Não nos vemos há muito tempo"

Joséphine Baker faleceu em 1975 em Paris. É a primeira mulher negra a juntar-se às 80 figuras nacionais da história francesa presentes no Panteão.

Emmanuel Macron dirigiu algumas palavras ao "espírito" de Joséphine Baker, que dialoga agora com Victor Hugo, Voltaire ou Simone Veil. 46 anos depois da sua morte, a artista popular, a resistente, a cidadã antirracista entrou no Panteão. Foi a sexta mulher a entrar esta terça-feira, 30 de novembro, na necrópole francesa. Um momento celebrado em Paris com muitos momentos fortes.

Joséphine Baker, figura da resistência contra a ocupação nazista e da luta antirracista foi a primeira mulher negra a entrar no Panteão. A França celebrou a artista e resistente numa cerimónia solene e comovente. Nas palavras do Presidente francês: "Joséphine Baker fez sempre as escolhas justas".

"Entra no nosso Panteão com um vento de fantasia e de audácia. Sim, pela primeira vez, aqui, sentimos uma certa ideia de liberdade, da festa, que entra também. Entra no nosso panteão porque gostou da França, porque lhe mostrou um verdadeiro caminho que era o seu, mas do qual a França duvidava. Entra no nosso panteão porque nascida nos Estado Unidos da América, não há mais francesa que vocês", declarou Emmanuel Macron.

Uma cerimónia à imagem de Joséphine Baker com espetáculo, a chegada do caixão na rua Soufflot, ao som da canção "Me revoilà Paris" e com momentos solenes, como o desfile dos aviadores das Forças aéreas no tapete vermelho a marcar quatro pausas, para evocar as mil facetas da vida da artista franco-americana.

"Casa pela primeira vez em 1919, tem 13 anos. No ano seguinte, por força da sua determinação, consegue pequenas atuações como bailarina", nas palavras de Sephora Pondi, atriz da Comédie Française. Atriz negra, jovem, como Joséphine quando chega a Paris, em 1925. Sephora Pondi lembra a artista, a resistente e a combatente. No fim da rua Soufflot esperam 60 crianças que cantam "Dans mon village".

A voz de Joséphine Baker foi depois acompanhada pelas 60 crianças da Ópera Comique que interpretam a cantar e com linguagem gestual a canção que conta Joséphine, a mãe de família, perante uma tribuna tricolor, um momento comovente antes de se ecoar o hino "J"ai deux amours" com a projeção de imagens, antes do discurso do Presidente francês, Emmanuel Macron, sob a inscrição "Aos grandes homens".

O hino "J"ai deux amours" de Joséphine à França, país do qual tanto gostou, e que ontem lhe retribuiu a maior das homenagens, um lugar ao lado das maiores figuras da história francesa.

Josephine Baker nasceu nos Estados Unidos da América (EUA), em 1906, tornou-se numa estrela internacional na década de 30, do século XX, em especial em França, para onde se mudou em 1925, para fugir ao racismo e à segregação nos EUA.

Ficou conhecida nos seus espetáculos em que aparecia praticamente nua, durante os "Anos Loucos", aproveitou a fama para trabalhar como agente de contraespionagem para o general Charles De Gaulle, durante a ocupação nazista, conseguiu recolher informações de funcionários alemães e levou mensagens escondidas na roupa interior para Inglaterra e outros países aliados, usando o estatuto de artista para justificar as viagens.

Depois da Segunda Guerra Mundial, juntou-se à luta contra o racismo, foi a única mulher a fazer um discurso com Martin Luther King, a 28 de agosto de 1963, durante uma marcha pelos direitos civis em Washington.

Apesar do talento de Joséphine Baker, nome artístico de Freda Josephine McDonald, é pelo trabalho como parte da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial que é considerada como uma heroína em França.

Com um perfil atípico, a entrada da artista no Panteão, reservado quase exclusivamente aos homens - políticos, heróis de guerra ou escritores - Emmanuel Macron tenta pôr fim aos habituais perfis dos "imortais", a faltarem cinco meses das eleições presidenciais.

Joséphine Baker, a primeira mulher negra, descansa agora ao lado de grandes homens, ao lado de Simone Veil e Maurice Genevoix. Nesta que foi a terceira cerimónia no Panteão presidida pelo chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.

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