Emmanuel Macron com Mario Draghi
Europa

Novo eixo europeu Paris-Roma

Emmanuel Macron e Mario Draghi assinaram na sexta-feira, 26 de novembro, um acordo franco-italiano em Roma com vista ao reforço da cooperação nas áreas da defesa, migrações, economia ou cultura.

Conhecido como Quirinal, este é o segundo tratado deste tipo assinado pela França depois do tratado do Eliseu rubricado em 1963 com a Alemanha. O Presidente francês reforça relações com um país aliado e abre caminho a um possível novo motor de liderança na União Europeia.

Os últimos anos ficaram marcados por relações tensas entre França e Itália, mas o bom entendimento entre o Presidente francês e o Presidente do conselho italiano permitiu chegar a tréguas e abrir um novo eixo Paris-Roma. Uma nova relação, através da qual não se pretende que substitua a dupla Franco-alemã, no entanto, é vista como um novo passo na construção do futuro da Europa, idealizado neste primeiro mandato de Emmanuel Macron.

Um novo eixo com implicações europeias uma vez que o tratado franco-italiano acontece num contexto europeu particular, a faltar um mês para que a França assuma a presidência da União Europeia, no primeiro semestre de 2022, mas também numa altura de turbulências com a pandemia, o Brexit e as eleições alemãs.

Lado a lado, a França e a Itália, segunda e terceira economias europeias são dois pesos pesados da União Europeia, têm hoje dois governos que partilham posições próximas na maioria dos assuntos europeus. Paris procura o apoio de Roma para conseguir aplicar os planos de retoma económica, a Alemanha e o novo ministro das Finanças - possivelmente liberal - não vão ser fáceis de convencer, o salário mínimo europeu, um dos grandes objetivos de Paris, acelerar o plano ambiental europeu. Para que Emmanuel Macron possa aplicar estas metas, o eixo Paris-Roma passa a ser tão determinante quanto o eixo Paris-Berlim nos próximos meses.

Contudo, há temas sensíveis na Defesa com a compra do italiano Leonardo pelo franco-alemão Nexter KMW ou a questão dos migrantes, temas relegados à ausência de acordo europeus, quanto à distribuição de pedidos de asilo. Um tema que ultrapassa o contencioso franco-italiano. A batata quente da União Europeia que ninguém quer desbloquear, apesar dos desastres humanitários repetidos, como o da semana passada em Calais.

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