Treino único no mundo. ONG usa rato gigante da Tanzânia para detetar minas

Morreu aos oito anos, o rato Magawa, um dos embaixadores da organização Apopo. Em vida, ajudou a salvar vidas humanas. O presidente da organização explica à TSF que a deteção de minas é realizada pelo "rato gigante da Tanzânia", que é treinado durante quase um ano. A ideia da Apopo nasceu na Bélgica, mas a sede fica na Tanzânia, estando também presente em países como Angola, Moçambique e Camboja.

É um trabalho único no mundo. A organização Apopo usa ratos para detetar minas. Com sede na Tanzânia, há mais de 20 anos, a ideia começou por nascer na Bélgica. O dono de um rato lembrou-se de usar o animal para ajudar na deteção de minas. Hoje, a Apopo está em países como Angola, Moçambique e Camboja, tendo já detetado mais de 140 mil minas.

Um dos embaixadores da organização, o rato Magawa, foi premiado em 2020. Morreu aos oito anos, mas ajudou a divulgar um trabalho que salva vidas. Tal como explica o presidente da organização, Christophe Cox, o trabalho é feito por um rato muito específico.

"Usamos o rato gigante da Tanzânia porque vive oito anos, isso torna o investimento mais rentável. A maior parte dos ratos só vive dois ou três anos. É preciso quase um ano para treiná-los. Os nossos ratos também são maiores do que os outros, por isso, também são mais fáceis de lidar, com uma trela, por exemplo. Por outro lado, não são suficientemente pesados para ativar as minas. Estamos no terreno desde 2004 e nunca tivemos um acidente com um rato", adianta, em declarações à TSF.

Os ratos são treinados durante quase um ano. É assim que desenvolvem a sensibilidade natural que têm para identificar os cheiros.

"Aumentamos gradualmente a dificuldade. Enterramos as minas por baixo da terra. Depois, alargamos a área, aumentamos a profundidade. Após uns dez meses, têm direito a uma acreditação e ficam prontos para ser utilizados", afirma.

Para assinalar uma mina, os ratos "arranham o chão". "Às vezes, fazem uma pausa, mas normalmente arranham e deixamos que o façam, porque eles são tão leves. Por exemplo, um cão não pode arranhar a terra, porque pode fazer explodir a mina. Só pode sentar-se."

Quando são enviados para os países onde vão trabalhar, os ratos vão acompanhados por três treinadores cada um. No destino, são outra vez certificados. Christophe Cox diz que os ratos já salvaram vidas.

"As nossas equipas já descobriram mais de 140 mil minas e bocados de explosivos. Claro que não podemos afirmar que cada mina teria, hipoteticamente, matado uma pessoa, mas remover as minas também é acabar com o medo, o terror de quem lá vive. Por isso, libertar as comunidades deste fantasma, deste obstáculo, é uma grande conquista", considera.

A Apopo é a única organização no mundo com este trabalho, mas o tema deixou de estar em destaque depois da morte da princesa Diana, apesar de ainda haver minas em cerca de 60 países. Christophe Cox espera que a organização consiga expandir-se.

"Claro que nem todos os problemas podem ser resolvidos com os nossos ratos, mas esperamos expandir-nos. Se bem que estamos em Angola e no Camboja e esses dois países ainda têm grandes desafios. Por isso, podemos chegar a outros países mas também podemos fazê-lo internamente nestes países", sublinha.

A organização não-governamental anunciou, esta quarta-feira, que morreu Magawa, um rato africano gigante da Tanzânia, que ajudou a limpar cerca de 225.000 metros quadrados de terra, o equivalente a 42 campos de futebol, durante os cinco anos de carreira.

Este rato detetor de minas foi condecorado pela sua bravura no Camboja depois de ajudar a salvar vidas humanas. Após detetar mais de cem minas e outros explosivos, o grande roedor aposentou-se em junho passado.

"Magawa teve uma longa vida. Viveu mais de oito anos, o que para os seres humanos, seria o equivalente a cem anos. Ele dava boas vibrações aos treinadores, encontrou muitos objetos. Encontrou 70 minas e foi sempre um bom embaixador da Apopo. Tendo isso em conta, continuamos a treinar ratos e, como organização, estamos sempre a desenvolver novos processos", refere Christophe Cox.

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