Alegre pede ao "povo de esquerda" para votar em Seguro, "o único capaz de derrotar Chega e direita"

Filipe Amorim/Lusa
"Se neste momento os 3% do PCP e os 3% do Bloco de Esquerda e 2,5% do Livre estivessem a contar para o objetivo comum, o António José Segura já estava na segunda volta", diz o histórico socialista
O histórico dirigente do PS Manuel Alegre apelou esta quinta-feira à mobilização do "povo de esquerda" para votar em António José Seguro, o "único candidato capaz de derrotar o Chega e a direita", acusando PCP, BE e Livre de prejudicarem esta candidatura.
Manuel Alegre participou no almoço de apoiantes, juntamente com muitas outras figuras socialistas, à candidatura presidencial de António José Seguro, discurso no qual avisou que estas eleições "suscitam uma questão de regime" e são um "combate entre a democracia e a não democracia" e "um combate entre a democracia pluralista e o poder absoluto de um só partido".
"Nós devemos chamar o povo de esquerda a votar no único candidato que pode assegurar a vitória da esquerda, a vitória contra o Chega e contra a direita", apelou, considerando que os socialistas têm que estar "com todo o seu entusiasmo, sem hesitações, sem preconceitos" a apoiar Seguro.
Segundo o presidente honorário do PS, os partidos à esquerda "entretêm-se a defender as suas quintinhas, a manter as suas posições, a combater-se uns aos outros". Alertou que isso prejudica "a única candidatura que pode derrotar a direita, que é a candidatura de António José Seguro".
"Infelizmente, já não temos Álvaro Cunhal para os chamar à realidade e para lhes dizer, contra o Chega e contra a direita, vota Seguro", afirmou.
Para Alegre, é preciso responsabilizar os partidos à esquerda do PS "porque eles estão a assumir uma grave responsabilidade".
"Se neste momento os 3% do PCP e os 3% do Bloco de Esquerda e 2,5% do Livre estivessem a contar para o objetivo comum, o António José Segura já estava na segunda volta. Peço a cada um de vós que desperte os socialistas, porventura ainda pouco conscientes da gravidade deste combate", apelou.
Recorrendo a François Mitterrand - que dizia que "sempre que há uma eleição, em primeiro lugar é preciso chamar os nossos" -, Alegre defendeu que é preciso "mobilizar todos os socialistas, fazer-lhes ver com consciência o risco que se corre nessa eleição de 18 de janeiro".
"Mas temos de nos dirigir também a todos os democratas, a todos os progressistas, a todos os humanistas, a todas as portuguesas e portugueses que querem viver numa democracia aberta, que não querem um governo que faça pacotes laborais contra os trabalhadores, que faça uma lei da nacionalidade que viole a Constituição", disse.
Para o também antigo candidato presidencial, Seguro está preparado "para ser candidato e para ser Presidente da República".
"Um candidato agregador e inspirador, que saberá dialogar, saberá preservar a constitucionalidade, a estabilidade, mas saberá preservar também a nossa Constituição", elogiou, considerando que este "é um dos mais duros combates" que o PS travou.
Alegre avisou que "daqui para a frente o combate tem que acelerar", lamentando ele próprio já "não ter mais forças para andar aí por ruas".
"Mas daqui para a frente nós temos que dar tudo por tudo, porque como disse aqui alguém, só há um candidato, só há uma alternativa. Essa alternativa é António José Seguro", considerou.
