Comportamento eleitoral de quem votou Cotrim, Mendes e Gouveia e Melo "é crucial"

Créditos: Manuel de almeida/Lusa
João Cancela, investigador da NOVA FCSH, criou um simulador onde é possível aferir os vários cenários nesta segunda volta das eleições presidenciais, distribuindo esses votos em duas "dimensões diferentes"
Quase metade dos eleitores da primeira volta não votaram em António José Seguro, nem em André Ventura. Quem vão escolher no dia 8 abre a porta a vários cenários analisados por João Cancela, investigador da NOVA FCSH e autor de um simulador para a segunda volta.
Em contagem decrescente para a segunda volta das eleições presidenciais, as sondagens dão conta de um aumento das intenções de voto nulo e branco, bem como do aumento dos indecisos.
Em qualquer cenário, a escolha que fizerem aqueles que, a 18 de janeiro, votaram nos candidatos que ficaram pelo caminho, é determinante para o resultado da votação de domingo, já que representam cerca de 45% dos eleitores.
João Cancela, investigador da NOVA FCSH, criou um simulador onde é possível aferir os vários cenários nesta segunda volta, distribuindo esses votos em duas "dimensões diferentes": "Por um lado, que percentagem desse grupo é que vai votar na segunda volta e, depois, dentro dos que votam, que percentagem é que vota num candidato e num outro candidato, neste caso em António José Seguro e André Ventura", explica, em declarações à TSF.
Para o investigador, "o comportamento destes eleitores é agora crucial" podendo resultar em vários cenários. Entre os dois "mais plausíveis", uma passa pela "distribuição de votos na ordem de cerca de dois terços de votos para António José Seguro e um terço para André Ventura", o que, ainda assim, "pode ser suficiente para que André Ventura se aproxime bastante dos dois milhões de votos". "E António José Seguro teria, neste cenário, algo como três milhões e meio de votos", acrescenta.
Esse primeiro cenário, "geraria uma maioria clara e uma vitória bastante folgada" de António José Seguro. Contudo, André Ventura ficaria "com um resultado que se aproximaria - sem chegar lá eventualmente -, ao que a AD conseguiu nas legislativas, em número absoluto de votos", explica João Cancela.
O segundo cenário "seria uma vitória mais estreita de António José Seguro, por uma margem mais curta, e com André Ventura a ser capaz de passar o limite dos dois milhões de votos".
Esse cenário implicaria "uma mobilização, não apenas de eleitores que não tivessem votado na primeira volta, mas a persuasão de eleitores que deram o seu voto a candidatos mais à direita".
Entre os cenários "menos prováveis, mas que não se podem descartar", João Cancela coloca a vitória de Seguro "por uma margem muito, muito estreita" ou a vitória de André Ventura, algo que o investigador sublinha que, sendo improvável "neste momento, com base na informação disponível", não arrisca descartar completamente , dado tudo a que o país tem "assistido ao longo dos últimos anos, em Portugal e lá fora também".
Na leitura de João Cancela, uma abstenção mais elevada, tendo em conta a percentagem de votos, poderia resultar num "resultado bastante favorável a André Ventura, sempre perdendo a eleição, isso é certo, mas com uma percentagem de votos bastante mais elevada, já próxima dos 40% ou mesmo ultrapassando os 40%".
Pelo contrário, "se houver o tal efeito agregador e aglutinador da candidatura de António José Seguro como recetáculo de boa parte dos votos dos candidatos derrotados na primeira volta", uma maior mobilização "seria mais vantajosa" para Seguro, esclarece João Cancela.