
Créditos: António Pedro Santos/Lusa (arquivo)
Apesar de ter havido consenso em relação ao adiamento desta quarta-feira, num momento posterior a Iniciativa Liberal comunicou que não aceitaria que o debate fosse remarcado para sexta-feira
A conferência de líderes parlamentares decidiu esta quarta-feira manter o agendamento do debate quinzenal com o primeiro-ministro para sexta-feira, pelas 10h00, anunciou o porta-voz, o deputado social-democrata Francisco Figueira.
O debate quinzenal com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, estava inicialmente previsto para esta quarta-feira, às 15h00, mas foi remarcado para sexta-feira para permitir que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, se deslocasse esta tarde a Coimbra, onde se vive uma situação grave de risco de inundações.
Apesar de ter havido consenso em relação ao adiamento desta quarta-feira, num momento posterior a Iniciativa Liberal comunicou que não aceitaria que o debate fosse remarcado para sexta-feira, propondo, como alternativa, a próxima semana.
Face a esta posição da Iniciativa Liberal, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, teve de convocar uma reunião de urgência da conferência de líderes, uma vez que a remarcação do debate com o primeiro-ministro, nos termos do Regimento, requer unanimidade.
No final da reunião, fontes parlamentares dizem que a Iniciativa Liberal, face à posição contrária das restantes bancadas, acabou por ceder no seu veto em relação à marcação para sexta-feira.
As mesmas fontes adiantam que a Iniciativa Liberal, quer por mensagem telefónica, quer por email, numa fase inicial, não se opôs de forma tácita à data proposta para o debate quinzenal com o primeiro-ministro, sexta-feira, embora sugerisse a próxima semana.
Perante os jornalistas, o porta-voz da conferência de líderes declarou: "Foi uma decisão unânime".
"Naturalmente, houve um debate que é próprio e que deu origem à realização desta conferência de líderes, mas foi entendimento de todos os grupos parlamentares que devia fazer-se esse reagendamento, até porque, como é do vosso conhecimento, o Governo não pediu para que o debate se fizesse na semana seguinte", disse.
Ainda de acordo com Francisco Figueira, "foi entendimento da conferência de líderes que, não acontecendo nada a contrário, não há razão para o adiamento [do debate quinzenal] ser mais prolongado".
"Se alguma circunstância ocorrer agora, nas próximas horas, ou nos próximos dias, cá estaremos para cumprir as funções que são da conferência de líderes e fazer algum reagendamento, se for esse o caso. Mas esperemos que a situação se mantenha estável e que seja possível fazer esse debate na data que hoje ficou determinado", acrescentou.
Na conferência de líderes também ficou estabelecido que a agenda inicialmente prevista para sexta-feira será objeto de remarcação na próxima quarta-feira em nova reunião deste órgão parlamentar.
No final da reunião, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, disse ter saído de "uma das conferências de líderes mais insólitas de que há memória", acusando a IL de fazer "um número" e criar um problema institucional que teve que ser resolvido com uma conferência de líderes extraordinária.
O bloquista alertou que, caso a IL mantivesse a sua posição de rejeitar o debate na sexta-feira, não haveria consenso para o seu adiamento e o quinzenal teria que ser realizado ainda esta quarta-feira.
"Felizmente imperou o bom senso e a conferência de líderes conseguiu por unanimidade estabilizar a agenda parlamentar, com a certeza de que, se por razoes de coordenação política e emergência, o debate tiver que ser novamente adiado, como é evidente, imperará na conferência de líderes o bom senso e o interesse nacional para que os responsáveis políticos estejam ao comando", acrescentou.
