"Diziam que Seguro não tinha os mínimos, mas teve os máximos." Manuel Alegre diz que vitória "não é do PS"

Créditos: Filipe Amorim/Lusa
Em virtude do novo livro que lançou aos 89 anos, o escritor diz à TSF que sem as circunstâncias da sua vida política "não teria escrito aquilo que escreveu"
O escritor e político Manuel Alegre considera a eleição de António José Seguro para a Presidência da República uma "grande alegria" e "uma vitória da democracia e dos portugueses contra a adversidade e a tempestade". E descola-a do Partido Socialista (PS).
Em declarações à TSF, o histórico do PS - que acaba de lançar um novo livro de poesia intitulado "Balada do Corsário dos Sete Mares" - salienta que o antigo secretário-geral socialista "sozinho tomou aquela decisão e sozinho construiu uma base de arranque".
"Depois viria a ter o apoio do Partido Socialista, mas isto não é uma vitória do Partido Socialista, é uma vitória dele próprio", analisa o escritor.
A eleição de António José Seguro, na opinião de Manuel Alegre, é também resultado "das opções que tomou em relação às grandes questões do nosso tempo: tolerância ou intolerância, moderação ou extremismo, etc".
Questionado pela TSF se lamenta que algumas figuras do PS não tenham aparecido no início da campanha, Manuel Alegre deixa "a reflexão" para os mesmos, "porque Seguro conseguiu a maior votação de sempre nas eleições presidenciais".
"Alguns disseram que ele não tinha os mínimos. Bom, podia não ter os mínimos, mas teve os máximos", atira.
"Às vezes parece que alguém está a escrever os poemas por mim"
Manuel Alegre reconhece que "cada vez vai escrevendo menos" e sublinha que todas as vivências que teve acabaram por desaguar em toda a sua obra.
Aliás, sem as circunstâncias da sua vida política - "a ditadura, a Guerra Mundial, a prisão, o exílio" - "não teria escrito aquilo que escreveu".
Sobre o novo livro, "uma espécie de lírica dos 89 anos", Alegre explica que a "Balada do Corsário dos Sete Mares" é "uma reflexão sobre a própria poesia". As páginas são preenchidas com poemas "que andavam por aqui e por ali por diversos cadernos", aos quais se juntam "produções mais recentes".
Para o escritor, os poemas simplesmente "chegam-lhe": "E também devido à idade, há aqui o sentido da transitoriedade da vida, aproximação do fim e um certo sentido de despedida."
"Eu não me sento numa secretária para decidir fazer um poema. Escrevo um poema quando o poema me chega. Quando às vezes parece que alguém está a escrevê-lo por mim", refere ainda o antigo candidato presidencial.
