Ventura líder da direita? PSD recusa, IL fala de "rejeição" e Chega acusa-os de "desrespeitar a democracia"

Crédito: Rita Chantre
Na TSF, Paulo Lopes Marcelo afirma que Ventura teve menos votos do que AD, Miguel Rangel diz que o Chega não representa uma solução e Miguel Corte-Real pede reflexão sobre Ventura estar a definir "eixo político português"
Depois de André Ventura ter-se autodeclarado "líder da direita" e insistido nessa ideia na noite eleitoral do passado domingo, o PSD e a Iniciativa Liberal recusam essa ideia, enquanto o Chega acusa quem minimiza resultados eleitorais de "desrespeito pela democracia".
Na TSF, Paulo Lopes Marcelo, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, defende que as percentagens dos resultados eleitorais são relativas.
"Querer dizer que é o líder da direita quando teve só um terço dos votos das pessoas que foram votar no passado domingo, quando só ganhou em dois concelhos do país, um no continente, outro na Madeira, quando teve muito menos votos ou bastantes menos votos do que aqueles que a AD tive há seis ou sete meses, quando tivemos as últimas legislativas, parece-me uma tentativa demasiado otimista de ler os resultados eleitorais", disse o social-democrata.
Paulo Lopes Marcelo afirma que "não há um líder da direita em André Ventura, há um candidato e um partido que faz o seu papel, obviamente, tenta conquistar o seu eleitorado".
Pela Iniciativa Liberal, o deputado Miguel Rangel prefere olhar para os resultados das presidenciais por outro prisma: "Esta é a maior sondagem que temos da rejeição de André Ventura. E por quê? Porque André Ventura e o partido Chega não representam uma solução. Representam um protesto e representam, no limite, a instabilidade. É um partido que vive de instabilidade e as pessoas vão percebendo isso também."
No caso do Chega, Miguel Corte-Real afirma que a desvalorização do resultado de André Ventura merece reflexão.
"É curioso que se esteja aqui a tentar, de alguma forma, minimizar o potencial de crescimento de André Ventura e do Chega, quando, na verdade, ele, como descreveu agora, está a definir um pouco o eixo político português. Os que gostam e os que não gostam. Isso sim é que merece reflexão", aponta.
Por isso, o vereador da Câmara do Porto deixa uma acusação: "Acho que o Chega, naturalmente, e André Ventura iriam reconhecer a vitória de António José Seguro e, neste caso, a derrota desta candidatura, porque o Chega respeita a democracia. O Chega é hoje o partido que mais vezes é atacado por quem não quer respeitar a democracia. A democracia no sentido da democracia que é feita dos votos, é feita dos resultados. Portanto, nós ouvimos constantemente gente a tentar desvalorizar os resultados eleitorais que o Chega e André Ventura conseguem. Isso sim é desrespeitar a democracia."