Famílias, empresas e kits de emergência: Livre propõe "apoios imediatos" perante impactos da catástrofe

Créditos: José Sena Goulão/Lusa
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição
O Livre vai apresentar na Assembleia da República dois projetos de resolução com medidas de apoio às famílias e empresas que sofreram com os estragos na sequência da passagem da depressão Kristin, bem como de prevenção em situações de emergência.
O grupo parlamentar do Livre propõe, desde logo, criar uma linha de apoio financeiro excecional de acesso imediato às famílias e empresas afetadas pela catástrofe.
À TSF, a coordenadora do partido, Isabel Mendes Lopes, explica no que consiste a proposta. Além de verbas para a reparação das casas, diz, é preciso repor bens essenciais "que foram perdidos", como eletrodomésticos. Já para as pessoas que "não conseguem voltar para casa", é necessário um resposta urgente ao nível do "realojamento temporário".
"E depois coisas tão simples como as pessoas que, por exemplo, perderam os seus documentos não devem ter de pagar uma taxa pela segunda via", acrescenta.
O apoio psicológico é outra componente que o partido pretende ver acautelada. Não só junto das populações, mas também dos empresários e trabalhadores que "vão ver a sua produção parada e muito do seu investimento destruído".
"São pessoas que puseram a toda a sua vida nestas empresas e, portanto, há aqui um apoio psicológico muito grande a ser dado", assinala.
Isto deve ser também acompanhado de garantias de financiamento de emergência para as empresas, bem como apoios a fundo perdido para recuperação dos equipamentos e de toda a estrutura empresaria. O caso do setor agrícola é particularmente relevante, assume.
"[Os agricultores] viram as suas culturas perdidas, a sua produção perdida, os seus animais também perdidos", vinca.
Mas a ambição do Livre vai mais além. O "terceiro eixo" desta primeira resolução diz ainda respeito ao apoio a prestar às próprias autarquias: "Há aqui um investimento gigante que é preciso fazer na reconstrução e na limpeza das ruas, dos equipamentos públicos, também no próprio reforço da proteção civil a nível local e, portanto, é preciso agora, de facto, um apoio imediato", resume Isabel Mendes Lopes.
Já o segundo projeto resolução recomenda a criação de um programa nacional de distribuição de kits de emergência, "uma coisa que é cara e que muitas pessoas em Portugal não têm a capacidade de ter". A coordenadora lembra que estes devem incluir água, alimentos para três dias, um rádio portátil, uma lanterna e uma caixa de primeiros socorros.
"Esta tempestade vem no final do mês e há muitas pessoas que têm até pouca comida em casa porque estão a usar os últimos trocos para conseguir sobreviver. E, portanto, estarmos a pedir às pessoas que ainda tenham um kit de emergência que lhes garanta três dias de uma autonomia é algo que para muitas pessoas em Portugal é incomportável", reconhece.
O Livre defende, por isso, que o valor destes kits deve ficar ao encargo do Estado.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
