Marcelo afirma que é preciso "respeitar a vontade" da ministra perante país que vive "situação complexa"

Créditos: António Pedro Santos/Lusa (arquivo)
Marcelo Rebelo de Sousa reitera que "compreende" e aceita a decisão da governante
O Presidente da República reconhece que Portugal vive uma "situação complexa" nas últimas duas semanas e sublinha que, agora, é preciso "respeitar a vontade" da ministra da Administração Interna.
Questionado pelos jornalistas, à margem da entrega do Prémio Pessoa 2025, em Lisboa, sobre se a demissão de Maria Lúcia Amaral peca por tardia, Marcelo Rebelo de Sousa rejeita substituir-se "ao juízo que foi efetuado pela própria ministra". E reitera apenas ainda que "compreende" e aceita a decisão da governante.
"A senhora ministra entendeu que não tinha já condições, como diz o comunicado, pessoais e políticas para continuar em funções. Transmitiu essa vontade ao senhor primeiro-ministro, o senhor primeiro-ministro transmitiu ao Presidente da República. Eu aceitei esse pedido de demissão. A lei orgânica do Governo prevê que, quando isto acontece numa circunstância em que não é possível substituir de imediato um membro do Governo, o primeiro-ministro assume as funções, que foi o que aconteceu", explica.
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, pediu a demissão e o Presidente da República aceitou-a, segundo uma nota oficial divulgada esta terça-feira à noite.
"Há que respeitar essa vontade da senhora ministra. O senhor primeiro-ministro compreendeu isso e transmitiu. Eu compreendi, aceitei e, agora, falaremos amanhã", atira Marcelo.
O comunicado explicita ainda que será o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que "assumirá transitoriamente as respetivas competências", logo que a exoneração se torne efetiva.
Esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 05 de junho de 2025.
A demissão da ministra da Administração Interna aconteceu na véspera do debate quinzenal no parlamento na quarta-feira, que deverá ficar marcado pela atuação do Governo na resposta às consequências do mau tempo que causou 15 mortes em Portugal nas últimas duas semanas.
Com parte do país (68 concelhos) em situação de calamidade até domingo, Luís Montenegro responderá pela primeira vez na Assembleia da República à oposição, que criticou a atuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem precisamente a demissão da ministra da Administração Interna.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
