Após demissão da MAI, Eduardo Cabrita aponta dedo a Montenegro: "É resultado da visão errada do primeiro-ministro"

Eduardo Cabrita, antigo ministro da Administração Interna
Créditos: Líbia Florentino/Global Imagens (arquivo)
Em declarações à TSF, o antigo ministro da Administração Interna refere que a "prevenção foi desvalorizada" e diz que Maria Lúcia Amaral "tinha uma limitação de falta de experiência de gestão e de falta de capacidade operacional em momentos de crise"
Eduardo Cabrita considera que o que importa não é a demissão de Maria Lúcia Amaral, mas as opções erradas do primeiro-ministro. Em declarações à TSF, o antigo governante aponta o dedo a Luís Montenegro.
"O que está aqui em causa é uma total responsabilidade do primeiro-ministro pela desvalorização da Proteção Civil, da prevenção de riscos, que levou já no verão passado, aquando dos incêndios, mas agora de forma muito evidente nestas tempestades, a que a prevenção tivesse sido desvalorizada", considera Eduardo Cabrita, em declarações à TSF.
O antigo ministro refere que Maria Lúcia Amaral "é uma jurista muito qualificada, defensora de direitos humanos", mas que "tinha uma limitação de falta de experiência de gestão e de falta de capacidade operacional em momentos de crise".
"A responsabilidade por esse modelo é inteiramente do primeiro-ministro, Luís Montenegro. É o resultado daquilo que é uma visão errada do primeiro-ministro sobre as questões de segurança num sentido amplo", atira.
Na escolha do próximo ministro, defende, o Governo tem de começar já a pensar na prevenção dos incêndios.
"Acho que a segurança dos portugueses é essencial e que, por exemplo, relativamente aos incêndios, que é necessário começar já a prevenir e não reagir apenas em pleno verão, que o Governo não repita em 2026 os erros de 2024 e de 2025, para que não aconteça o que se verificou o ano passado, que já o país estava a arder e Luís Montenegro ainda estava a discursar no Pontal numa festa partidária", afirma.
Enquanto foi ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita recorda que houve uma estratégia de Proteção Civil "preventiva", que garantiu que não houve vítimas mortais, entre 2018 e 2023.
"Nunca tudo é feito. Agora, o que houve foi uma estratégia de Proteção Civil preventiva, que determinou que, entre 2018 e 2023, não houvesse uma única vítima de incêndios rurais, que a prevenção estivesse no topo da agenda e que o país tivesse reagido atempadamente ao furacão Leslie ou, nos Açores, ao furacão Lourenço. A reação não pode ser política, o que se exige é um planeamento permanente", sublinha.
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, pediu a demissão e o Presidente da República aceitou-a, segundo uma nota oficial divulgada na terça-feira à noite.
O comunicado explicita que será o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que "assumirá transitoriamente as respetivas competências", logo que a exoneração se torne efetiva.
Esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 05 de junho de 2025.
A demissão da ministra da Administração Interna aconteceu na véspera do debate quinzenal no parlamento na quarta-feira, que deverá ficar marcado pela atuação do Governo na resposta às consequências do mau tempo que causou 15 mortes em Portugal nas últimas duas semanas.
Com parte do país (68 concelhos) em situação de calamidade até domingo, Luís Montenegro responderá pela primeira vez na Assembleia da República à oposição, que criticou a atuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem precisamente a demissão da ministra da Administração Interna.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
