Miguel Pinto Luz "refuta" acusação do autarca de Leiria, que falou com o "coração junto à boca"

Créditos: António Cotrim/Lusa
Miguel Pinto Luz afirma compreender as declarações de Gonçalo Lopes, que vive um "momento crítico": "Muitas vezes, o coração está junto à boca"
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, assegura que os "governantes deste país colocam o país à frente dos seus próprios interesses", numa resposta à acusação do autarca de Leiria, que afirmou esta segunda-feira que a resposta aos impactos da depressão Kristin "seria mais rápida se atingisse casa de quem governa".
"Eu percebo essa paixão. É um momento crítico que os senhores autarcas estão a viver e muitas vezes o coração está junto à boca. Claro que não é. Os governantes deste país colocam o país à frente dos seus próprios interesses. Isso não tenham dúvidas absolutamente nenhumas. Os portugueses que nos estão a ouvir não tenham dúvidas absolutamente nenhumas disso", assevera o ministro, quando confrontando com as declarações de Gonçalo Lopes.
Miguel Pinto Luz reforça compreender as afirmações do presidente da Câmara de Leiria "neste momento mais quente", mas assinala que "refuta completamente o conteúdo das mesmas".
Assinala, por isso, o trabalho "hercúleo" da E-Redes, que tem "mais de mil homens no terreno" para devolver a normalidade às populações que ainda não têm acesso à eletricidade.
"A energia é essencial, por exemplo, para as comunicações. Nós não vamos conseguir garantir que as comunicações sejam retomadas para 100% da população enquanto não tivermos energia e é isso que nós estamos a fazer", garante.
Já quando questionado sobre se há um prazo estabelecido para que as anormalias possa ser resolvidas, o ministro responde apenas que o Governo tenciona "nas próximas semanas" devolver ao país "essa parte da normalidade".
As declarações de Gonçalo Lopes surgiram na sequência de uma conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações municipal. O autarca socialista considerou que o grau de empatia que se deve ter na política passa por colocar-se "no lugar de quem mais sofre e não deixar para trás aqueles que são os mais desfavorecidos, aqueles que vivem nas aldeias, as populações mais idosas"".
Assegurando ter "uma avaliação muito clara sobre as limitações e os meios empregues no terreno", Gonçalo Lopes considerou, contudo, que a resiliência de uma empresa como a E-Redes, a principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão, "deveria ser maior e deviam ter sido acionados mecanismos de apoio mais cedo".
O presidente do município adiantou que havia 17.030 clientes sem eletricidade no concelho, "informação recolhida na plataforma" a que a autarquia tem acesso.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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