Engenheiros avisam que inexistência de gabinete de crise nas infraestruturas "condiciona a urgência" das respostas

Créditos: António Pedro Santos/Lusa
Em declarações à TSF, Fernando de Almeida Santos usa o exemplo do novo aeroporto de Lisboa para denunciar que, nem sempre, as "boas decisões" a nível político são suficientes para que surjam respostas imediatas: "Dois anos depois da decisão política que vai ser em Alcochete, ainda estamos às voltas com questões administrativas e ainda nem o projeto começou"
O bastonário da Ordem dos Engenheiros defende um "investimento redobrado" no ritmo da manutenção - que deve ser "periódica e ajustada" - para evitar colapsos nas infraestruturas na sequência das intempéries e denuncia que a inexistência de um gabinete de crise neste setor "condiciona a urgência" das respostas.
Em declarações à TSF, Fernando de Almeida Santos entende que esta é uma medida essencial para que o país não esteja "sujeito a reposições circustanciais", ainda que admita que, mesmo com uma manutenção adequada, "há e haverá sempre" infraestruturas que colapsem.
"Basta uma derrocada de terreno que muitas vezes é impercetível e só fica alterada com este tipo de condições adversas", justifica.
Mas uma maior manutenção, diz, "certamente" que podia evitar os colapsos provocados pelo comboio de tempestades que afetaram o país, reiterando que, "muitas vezes, o barto sai caro".
No entanto, por uma questão de "custo-benefício", este processo de revisão é frequentemente "aliviado", sendo certo que é, então, inevitável que "alguma coisa se perca".
"Neste caso, perde-se a capacidade de resposta da infraestrutura porque nós estamos a aliviar custos e, portanto, não estamos a fazer a manutenção que seria devida ou, não digo que seja mínima, a mínima certamente que será feita, mas adequada para que depois determinado tipo de infraestruturas não colapsem com situações deste género", sustenta.
A principal preocupação de Fernando de Almeida Santos prende-se agora com a recuperação das estradas que ruíram com a chuva. E, por isso, avisa que o processo vai ser demorado. O excesso de burocracia, completa, atrasa respostas que deviam ser imediatas, uma situação que se agrava com a falta de um gabinete de crise para estas situações, à semelhança do que acontece noutros países.
"Deveria existir uma espécie de gabinete de crise nas infraestruturas portuguesas de atuação imediata. Existe noutros países com um sistema de pré-qualificação de empresas em que elas eram chamadas imediatamente a repor, em vez de estarmos a fazer um procedimento normal de obra pública, que muitas vezes demora um ano só a questão administrativa", explica.
Entre as "boas decisões" que, muitas vezes, existem a nível político, há uma "série de procedimentos administrativos que condicionam a urgência de determinado tipo de respostas". Exemplo disso mesmo, segundo o bastonário, é caso do novo aeroporto de Lisboa.
"Já estamos dois anos depois da decisão política que vai ser em Alcochete e ainda estamos às voltas com questões administrativas, ainda nem o projeto começou", assinala.
O mesmo se passa com as infraestruturas que estão agora a ser repostas, uma vez que ainda serão alvo de "questões de contratação pública e processos morosos". Nalguns casos, "até tem de se legislar à pressa para dotar de valorização e de capacitação as infraestruturas portuguesas e as instituições que têm de dar resposta".
