Pizarro acusa Montenegro de "enganar pessoas" e vê "com surpresa" que "ninguém" assuma responsabilidades na Saúde

Manuel Pizarro
Foto: Igor Martins/Global Imagens (arquivo)
Os socialistam lembram que foi durante o Governo de António Costa, em 2023, que foi decidida a compra de viaturas para o INEM, mas entretanto o Executivo caiu. Manuel Pizarro era na altura ministro da Saúde e questiona agora, em declarações à TSF, o que é que o Governo andou a fazer. Acusa ainda o primeiro-ministro de estar a "enganar as pessoas"
O ex-ministro da Saúde Manuel Pizarro acusou esta sexta-feira o primeiro-ministro de "enganar as pessoas" sobre a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM e lamentou "que ninguém" assuma responsabilidades perante uma resposta "inqualificável" do serviço de emergência médica.
"A declaração do primeiro-ministro é uma tentativa de enganar as pessoas. Acho que o primeiro-ministro se cobre de ridículo, anunciando que algures em 2026 o INEM vai receber novas viaturas cuja aquisição estava prevista desde o final de 2023", disse, em declarações à TSF.
Para Manuel Pizarro, não há dúvidas de que o "sistema está muito doente" e a "boa pergunta" para o Governo é a seguinte: "O que é que andaram a fazer no ano de 2024 e no ano de 2025 para ainda não terem as viaturas, cujo processo de aquisição foi iniciado ainda no tempo do Governo socialista?"
Relativamente às mortes devido à demora no socorro noticiadas nos últimos dias, o ex-ministro sublinhou que o INEM vive um período de grande instabilidade, que só num ano e meio teve vários presidentes.
"Vejo com surpresa que ninguém assume responsabilidade nenhuma. (...) Nós não podemos saber se a assistência atempada teria evitado essas mortes. Isso demorará tempo a apurar-se. Mas há uma coisa que sabemos é que uma resposta do INEM numa hora ou em três horas é inqualificável e dias depois disto ninguém assume a responsabilidades", defendeu.
Segundo Manuel Pizarro, há ainda um fenómeno "nunca visto" que é "dentro do Ministério da Saúde as instituições tirarem culpas umas para as outras". "O INEM diz que a culpa é dos hospitais que retiveram as marcas. Os hospitais não respondem e a direção-executiva diz que a culpa é do INEM. Isto é vergonhoso."
Questionado sobre a posição do Presidente da República neste caso, Manuel Pizarro foi claro: "Suspeito que se metade disto tivesse acontecido quando eu era ministro, o senhor Presidente da República já tinha falado em público de forma bastante mais enfática."
