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Em declarações à TSF, o autarca de Vila Nova de Paiva conta que se orgulha de exercer o cargo num ano emblemático para o poder local
Em 50 anos de poder local democrático, o município de Vila Nova de Paiva teve oito presidentes de câmara. O oitavo é Paulo Marques (PS), que cumpre atualmente o seu segundo mandado e considera que, hoje, aquele território está mais próximo do poder central e "é bom para viver", apesar de continuar marcado pelo esvaziamento ditado pela emigração. O concelho, que pertence ao distrito de Viseu, conta menos de cinco mil habitantes, repartidos pelas freguesias de Pendilhe, Queiriga, Touro e Vila Cova à Coelheira, e União de Freguesias Vila Nova de Paiva, Alhais e Fráguas.
No dia em que se assinala mais um aniversário da elevação da antiga Barrelas a vila e a sua passagem a sede de concelho com o novo nome de Vila Nova de Paiva (1883), o autarca contou à TSF que se orgulha de exercer o cargo num ano emblemático para o poder local.
"Diz-me muito, porque o poder local foi uma das grandes conquistas do 25 de Abril e, 50 anos depois, poder estar como presidente de câmara, como representante desse poder local, é um orgulho e uma responsabilidade. Acima de tudo um orgulho, porque a responsabilidade já advém do facto de termos que tratar do nosso povo e das nossas terras, o melhor possível. Mas é um orgulho porque podemos fazer cada vez mais pelas nossas terras", afirma.
"Ainda bem que existe poder local democrático e ainda bem que houve 25 de Abril. É preciso reforçar muito isto e cada vez mais, porque só assim é que o povo tem verdadeiramente o seu poder."
Paulo Marques ainda não era nascido quando se deu a Revolução, mas entende que "estes 50 anos de poder local trouxeram tudo para Vila Nova de Paiva".
"Apesar de ainda hoje continuarmos em termos rodoviários longe capital, estamos à distância de uma mensagem de WhatsApp, por exemplo, para falar com qualquer governante. Isso é muito bom poder dizê-lo. Seria muito mais complicado para quem cá esteve há muitos anos no meu lugar, trocar ideias com os governantes. Hoje temos muitos mais meios de comunicação", diz, sublinhando: "Hoje há uma maior proximidade. Infelizmente ainda não há regionalização, apesar de eu continuar a achar que haveremos de caminhar nesses sentido, mas a descentralização dos poderes do Estado, tem sido muito boa."
Para o próximo meio século, almeja, "acima de tudo, continuar com a democracia". E defende que Vila Nova de Paiva "é um sítio muito bom para se viver, para envelhecer, para constituir família e espero que daqui a 50 anos assim continue, e que haja mais gente, porque esse é sempre um desafio que nós temos".
Conta que, devido à emigração, Vila Nova à Coelheira é conhecida "pela aldeia mais brasileira do país", até tem um Cristo Rei. E Queiriga a "mais francesa", porque a população emigrou para França após encerramento de minas e para fugir à guerra. E que, mais recentemente, da freguesia de Touro tem emigrado gente para a Suíça e para a Alemanha.
