
(Rui Manuel Fonseca)
Créditos: Rui Manuel Fonseca (arquivo)
Do lado de André Ventura, diz Rui Rio, está um "Presidente da República com narrativas superficiais e demagogicamente simplificadoras de questões complexas". Já em António José Seguro vê um "homem equilibrado e com sentido de Estado"
Rui Rio, que foi mandatário nacional da candidatura de Gouveia e Melo e ex-presidente do PSD, anunciou esta quarta-feira que vai apoiar a candidatura de António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais.
Num artigo de opinião assinado por Rui Rio, publicado no JN, o antigo líder dos sociais-democratas assinala que, "mais do que uma opção ideológica", agora é preciso fazer "uma escolha pela decência e pela seriedade". Do lado de André Ventura, diz, está um "Presidente da República com narrativas superficiais e demagogicamente simplificadoras de questões complexas". Já em António José Seguro vê um "homem equilibrado e com sentido de Estado".
"Alguém - e a mim isso diz-me muito - que, como líder da oposição nos difíceis tempos da troika, se esforçou por tentar colocar o interesse nacional à frente do interesse do seu próprio partido. Racionalmente, vou rejeitar o populismo e optar pela decência e pela seriedade. Por isso, votarei Seguro", assume.
O social-democrata argumenta ainda que, por ter apoiado um candidato independente na primeira volta - Henrique Gouveia e Melo -, "o pior que agora poderia fazer, seria votar em alguém, que, se ganhasse, transferiria o seu partido unipessoal para dentro do Palácio de Belém". Esta escolha, acrescenta, facilitaria "a própria canibalização do PSD pelo Chega".
Face à realidade "inegável" de que "nada resiste à erosão do tempo", para Rui Rio, é importante que os políticos possam fazer "ajustamentos estruturais capazes de corrigir as disfunções". Como, em muitos casos, tal não aconteceu, André Ventura calvagou "a ignorância e a revolta que a inércia estrutural do poder político tem originado".
Ainda que aponte que Ventura se assume com um candidato de "rutura", por percerber, "como ninguém", o "descontentamento que esta incapacidade de reformar e de inovar tem gerado na nossa sociedade", considera que este tem uma atuação que "não assenta numa base de seriedade e de verdade". Antes, é encorada por um "perigoso populismo, alicerçado muitas vezes na difamação e na mentira".
"André Ventura não quer acabar com o descontentamento através de propostas sérias e responsáveis que procurem resolver as atuais fragilidades do regime democrático. Ele apenas quer tirar partido do descontentamento, para conquistar o voto dos mais descrentes e emocionalmente mais fragilizados", atira.
Rui Rio teoriza igualmente sobre as razões da popularidade do candidato apoiado pelo Chega para explicar que, tendo o atual regime político "nascido à esquerda por oposição ao Estado Novo", é "lógico" que a reação às falhas que nela se encontram seja se façam agora à direita.
"Ao termos persistido nesse tipo de governação, era assim inevitável que a Direita mais radical e populista iria aparecer. Mesmo que o PSD se tivesse abastardado e abandonado por completo a social-democracia, transformando-se num partido marcadamente de Direita e de perfil mais extremista, não vejo que conseguisse evitar o surgimento de algo sem um passado conflituante com os novos ventos que sopram", defende.
A escolha do sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa está marcada para 8 de fevereiro e opõe António José Seguro e André Ventura.
Os cidadãos que pretendem votar antecipadamente em mobilidade poderão fazê-lo em 1 de fevereiro. Para isso, é necessário manifestar essa intenção por via postal ou por meio eletrónico no site oficial sobre o voto antecipado até 29 de janeiro, escolhendo o município onde votar.
Na primeira volta, António José Seguro obteve 31,11% (1.755.563 votos), enquanto André Ventura reuniu 23,52% (1.327.021 votos), segundo o edital do apuramento geral dos resultados afixado pelo Tribunal Constitucional.
O atual Presidente da República, eleito em 2016, é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.
O vencedor do sufrágio vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, eleito em 2016 e que termina o segundo mandato em março.
