Votação decorre "dentro da normalidade" nas 20 freguesias e secções de voto afetadas pelo temporal

Créditos: Rui Minderico/Lusa
À TSF, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, André Wemans, rejeita avançar dados sobre a afluência às urnas, mas faz um balanço positivo das eleições deste domingo, deixando uma palavra de agradecimento aos autarcas
A votação para a segunda volta das presidenciais nas 20 freguesias e secções de voto onde a eleição foi adiada para este domingo decorre "dentro da normalidade", depois do incidente em Bidoeira de Cima, no concelho de Leiria.
Em declarações à TSF, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), André Wemans, explica que, apesar de duas mesas de voto em Bidoeira de Cima terem estado temporariamente suspensas, durante quase três horas, devido a "problemas de eletricidade e iluminação" - que, entretanto, já foram solucionados -, as urnas fecharão "impreterivelmente" às 19h00.
No entanto, isto não significa que os eleitores que estejam na mesa de voto designada e que aguardam a sua vez fiquem impedidos de o fazer se, a esta hora, ainda estiverem na fila.
"A mesa continua a aceitar esses eleitores que já estejam lá para votar, mesmo depois das 19h00, mas não há a chegada de novos eleitores", esclarece.
André Wemans rejeita avançar dados sobre a afluência às urnas, mas faz um balanço positivo das eleições deste domingo, deixando uma palavra de agradecimento aos autarcas.
"O processo em si teve as questões que sabemos devido aos fenómenos climáticos - quer da parte das tempestades, quer depois das cheias. Obviamente deu algum mais trabalho à Comissão Nacional de Eleições, mas o maior trabalho foi certamente das autarquias dos locais afetados, que mesmo assim conseguiram garantir, na maior parte das situações, as condições de voto aos eleitores", saúda.
Segundo a CNE, a votação para a segunda volta foi adiada em todas as seis freguesias de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, bem como nas quatro freguesias de Arruda dos Vinhos e nas três freguesias da Golegã, no distrito de Santarém.
Além destes três concelhos sem qualquer voto no passado domingo, também foi adiada a votação em duas secções de voto de Santarém, numa freguesia e numa secção de Rio Maior, e ainda numa freguesia do Cartaxo, numa freguesia de Salvaterra de Magos e noutra de Leiria.
São, no total, oito municípios abrangidos pelo adiamento de eleições. Nas 20 freguesias e secções de voto em causa estão inscritos, de acordo com a CNE, 36.852 eleitores.
A lei eleitoral não prevê o adiamento generalizado das eleições.
É já conhecido desde domingo passado o vencedor das eleições, António José Seguro, que segundo os resultados provisórios divulgados pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna foi eleito Presidente da República com 66,83% dos votos expressos, contra 33,17% de André Ventura.
Antes da votação deste domingo em 20 freguesias e secções de voto, António José Seguro, antigo secretário-geral do PS, passou os 3,48 milhões de votos, enquanto o presidente do Chega, André Ventura, teve mais de 1,72 milhões de votos.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também centenas de feridos e desalojados.
As tempestades que têm atingido Portugal provocaram a destruição de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações.
As regiões Centro, de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até este domingo em 68 concelhos.
Na primeira volta das presidenciais, em 18 de janeiro, disputada por 11 candidatos, António José Seguro, apoiado pelo PS, foi o mais votado, com 31,11% dos votos expressos, seguido de André Ventura, apoiado pelo Chega, que teve 23,5%.
João Cotrim Figueiredo, apoiado pela IL, ficou em terceiro, com 16%, Henrique Gouveia e Melo em quarto, com 12,32%, e Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD, em quinto, com 11,30%.
O atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, eleito em 2016, cessará funções em 09 de março, data em que António José Seguro tomará posse perante a Assembleia da República.
Os anteriores presidentes eleitos em democracia foram António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006) e Aníbal Cavaco Silva (2006-2016).

