Cavaco acredita que a idade da reforma pode estar perto dos 80 anos em 2050

O ex-chefe de Estado diz não estar surpreendido com o estudo que levanta a hipótese de ser preciso trabalhar até aos 69 anos para garantir pensões. Cavaco Silva avisou ainda que Portugal está a caminho de ser o pior país da zona euro.

O ex-Presidente da República defende que a idade da reforma pode "não estar longe" dos 80 anos, em 2050. Em entrevista à Renascença, Aníbal Cavaco Silva diz não estar surpreendido com o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulgado na semana passada, que avançava que vai ser preciso trabalhar até aos 69 anos para garantir pensões.

"A previsão é de que, daqui a não muitos anos, mas com certeza depois de 2030, as reformas passem a situar-se e um nível bastante superior aos 65 anos que até aqui se conheciam. Fala-se mesmo que, perto de 2050, as reformas passem a situar-se não muito longe dos 80 anos. Por isso eu digo que não me surpreende a conclusão do estudo", pode ler-se na entrevista.

Questionado sobre se, em vez de prolongar a idade da reforma, Portugal poderia substituir a queda da população ativa pela maior entrada de emigrantes de países onde a esperança de vida é menor, Cavaco Silva respondeu que não acredita que esse seja o caminho e defende uma aposta numa "política muito forte de apoio à natalidade".

"Não acredito que os refugiados que estão a chegar à Europa possam resolver o problema de Portugal, não só porque não estamos numa rota dos emigrantes, mas também porque muitos, quando chegam aqui, tentam depois escapar-se para países como a Alemanha, a França ou os países nórdicos. Isto é, o nosso problematem que ser resolvido através de uma política muito forte de apoio à natalidade. Políticas que sejam capazes de convencer os casais a terem mais filhos. Tem que ser esse o caminho para um país como Portugal", defendeu.

Cavaco Silva avisou ainda que Portugal está a caminho de ser o pior país da zona euro. O ex-Presidente da República mostra-se preocupado com o crescimento lento da economia portuguesa e defende que o problema devia ser a prioridade do debate entre os partidos políticos.

"São previsões. E espero que, eventualmente, não se concretizem, mas, se se concretizarem, Portugal dá mais um passo que, como eu disse, pode fazê-lo chegar a ser a "lanterna vermelha" dos 19 países do euro. Já fiz algumas referências que podem influenciar a situação em que nós nos encontramos, como opções erradas feitas no domínio fiscal, opções erradas no domínio da despesa pública, a baixa produtividade de Portugal, a falta de investimento que está ainda muito aquém da trajetória que tinha antes de 2011... Acho que este deve ser o tema central do debate entre as forças políticas em Portugal: porque é que estamos a caminhar para ser a "lanterna vermelha" em termos de desenvolvimento, em termos de rendimento per capita dos países da zona do euro."

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