Cristas responde às críticas. Moção de censura "vale por si enquanto ato político musculado"

No dia em que a moção de censura ao Governo de António Costa apresentada pelo CDS é debatida no parlamento, Assunção Cristas responde a quem a acusa de usar esta ferramenta como uma forma de instrumentalização.

A líder do CDS, Assunção Cristas, reagiu às declarações do antigo líder do partido, José Ribeiro e Castro, negando que a moção de censura apresentada pelo CDS ao Governo de António Costa seja uma moção instrumental, ou seja, contra as oposições.

Em entrevista ao jornalista Fernando Alves na manhã da TSF, Assunção Cristas sublinhou que "uma moção de censura vale por si enquanto ato político musculado".

Sobre a ausência de um acordo prévio com o PSD para a apresentação concertada desta moção, Assunção Cristas sublinhou que sabe "à partida, que o PSD não gosta de moções de censura" e que esta, em concreto, é contra o Governo socialista apoiado pela esquerda.

"Sabemos que o PSD não gosta de moções de censura. Se o recordista é o PCP, quem está em último lugar é o PSD, com apenas uma moção de censura ao Governo de António Guterres."

A líder do CDS acredita que a moção de censura é uma oportunidade de os partidos que apoiam o Governo de António Costa mostrarem, definitivamente, de que lado estão: "Essas esquerdas que se unem contra esta moção não podem fingir que são oposição a um governo que elas próprias apoiam."

Assunção Cristas insistiu na importância de antecipar eleições, defendendo que, como o PS já só está focado no ciclo eleitoral, esse ciclo deve ser iniciado o quanto antes, apesar de o CDS ter aprovado este calendário eleitoral há um ano e meio. A líder do CDS quer, agora, "devolver a palavra aos portugueses".

"É verdade que em momento oportuno a questão foi colocada, mas também é verdade que as questões se alteraram desde então de forma significativa, particularmente negativa e, portanto, se nós formos comparar o que situação política em Portugal, o que é o descontentamento, o que é uma viragem ideológica à esquerda em desrespeito das próprias pessoas - estou a pensar, por exemplo, no esvaziamento da ADSE - verificamos que hoje estamos piores do que há um ano e meio."

De qualquer forma, a iniciativa do CDS não deve chegar a bom porto, uma vez que, apesar de contar com o apoio do PSD , a moção vai ser chumbada pela maioria parlamentar de esquerda.

Consulte aqui o texto de moção de censura do CDS na íntegra

Esta é a segunda vez nesta legislatura que o CDS apresenta uma moção de censura ao executivo liderado por António Costa. Em 2017, foi chumbada, com os votos da esquerda parlamentar, uma moção que pretendia censurar o Governo pela atuação durante os incêndios.

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