Bloco Central

Deve ou não Rio aceitar o desafio de Montenegro?

Para Pedro Marques Lopes, comentador da TSF, Rui Rio só deve aceitar o desafio se for "inconsciente". Pedro Adão e Silva considera que não responder "é sempre estar em perda".

Depois de Luís Montenegro ter anunciado ao país a disponibilidade para suceder a Rui Rio e ter desafiado o atual líder para marcar eleições diretas no PSD, Pedro Marques Lopes, comentador da TSF, defendeu no programa Bloco Central que o presidente do partido não deve ir a jogo e avançar para eleições internas.

"Só se for inconsciente, se não olhar para o bem do partido e se for suicida", afirmou o comentador, que sublinha: "Rui Rio foi eleito há um ano e nunca se sujeitou a umas eleições durante este ano. O único património que tem em termos eleitorais são as suas vitórias".

E acrescenta: "Se o partido for para eleições sabendo que tem se de entregar as listas para as eleições europeias até final de março ou principio de abril, o próximo líder do partido vai ter uma ou duas semanas para fazer essas listas".

Pedro Marques Lopes deixa ainda críticas à declaração feito pelo ex-líder parlamentar, considerando que Luís Montenegro pouco ou nada disse. "Não acredito que haja eleições diretas, mas, se existirem, Luís Montenegro diz que há duas estratégias diferentes, não diz é quais são, a única coisa que fez foi adjetivar a estratégia de Rui Rio como perdedora. Isso não é nada", defendeu.

No entender do comentador da TSF, Rui Rio também não está isento de culpas, tendo cometido um "erro primário" ao não ter clarificado desde o primeiro dia quem estava ou não com o presidente do partido. "Deixou arrastar a situação muito tempo", justifica. Pedro Marques Lopes considera, no entanto, que o desafio lançado por Luís Montenegro pode até ser positivo para Rui Rio.

"Vai haver uma clarificação, mas que vais ser dramática para o PSD, porque não vejo forma de, depois deste tipo de declarações, o partido voltar a estar unido", adianta ainda Pedro Marques Lopes, que remata: "Rui Rio precisava de um conflito. Vive melhor no conflito e vai ajudá-lo a marcar uma posição de força dentro do partido, algo que ainda não fez".

Já Pedro Adão e Silva, também comentador residente do Bloco Central, considera que Rui Rio deve aceitar o desafio, até porque, entende, ao prolongar esta crise, o presidente do PSD corre o risco de que a situação seja comparada à do PS, em 2014, no momento em que António Costa sucedeu a António José Seguro.

"Perante este tipo de confrontos, não responder é sempre estar em perda - algo que os apoiantes de Rui Rio têm feito para fragilizar Montenegro -, como é estar em perda estabelecer paralelismos com a situação de António José Seguro e António Costa, porque estão sempre a colocar Rui Rio na posição de António José Seguro", considera Pedro Adão e Silva.

Nesse sentido, o comentador da TSF defende que os casos não são comparáveis, defendendo ainda que, em 2014, existia "um clamor a favor de António Costa que trazia a expectativa de resultados eleitorais, que tinha um passado de resultados eleitorais e de poder executivo, tudo coisas que não existem no caso de Montenegro".

Segundo Pedro Adão e Silva, a atual crise interna do PSD pode "não ser passível de ser superada", sendo mesmo "uma fase avançada de uma crise de desagregação" do partido.

Quanto a Luís Montenegro, o comentador do programa Bloco Central entende que "não tem nada que o transforme" num candidato a primeiro-ministro. "Pode ser um líder da oposição, pode ser um líder transitório para, mais tarde, aparecer o verdadeiro líder do PSD, agora, acho difícil que alguém veja em Luís Montenegro o perfil de candidato a primeiro-ministro", assinala.

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