Fim da linha para Arménio Carlos. Líder da CGTP abandona em 2020

Líder da estrutura sindical desde 2012, Arménio Carlos revelou que irá cessar funções em fevereiro de 2020, abrindo espaço para o rejuvenescimento da CGTP.

Foi assim no passado e será assim mais uma vez. A norma interna que existe no Conselho Nacional e na Comissão Executiva da CGTP não vai permitir que Arménio Carlos se recandidate ao cargo que ocupa desde 2012.

Aos 63 anos de idade, o líder da CGTP revela que não se irá recandidatar à liderança do sindicato por causa de uma norma interna que impede os dirigentes de se candidatar (ou recandidatar) aos cargos no caso de atingirem o limite da idade da reforma durante o mandato futuro.

"Foi isto que levou a que eu substituísse o Manuel Carvalho da Silva e é esta norma que vai levar a que outro ou outra camarada me substitua", explicou o dirigente sindical revelando que deixará o cargo de secretario Geral da CGTP no XIV Congresso da estrutura, marcado para fevereiro de 2020.

Mas mesmo após largar a CGTP, e livre para abraçar outros desafios, a liderança do Partido Comunista Português não está nos horizontes de Arménio Carlos. "Isso está definitivamente colocado de parte. Quer a liderança, quer outros cargos de liderança política", explicou o líder sindical sublinhando que apenas se manterá como militante de base do partido onde se alistou em 1977.

Sem querer assumir as rédeas do PCP, Arménio Carlos prometeu no programa da TSF, "Às Onze no Café de São Bento" , que assim que abandonar o cargo que agora ocupa, irá apresentar-se na Carris, empresa onde trabalha e onde detém o cargo de operário-chefe.

Muitas greves agendadas e muito combates depois a liderança de Arménio Carlos na CGTP entra agora nos últimos anos de luta. A história do líder da CGTP iniciou-se em 1996 quando o atual secretário-geral entrou para o Conselho Nacional e para a Comissão Executiva da estrutura onde se fez líder em 2012 substituindo Manuel Carvalho da Silva.

"O trabalho continua a ser o parente pobre deste Governo"

Habituado a lidar com António Costa e com a Geringonça ao longo destes últimos três anos, Arménio Carlos quer que o Governo vá mais longe. Principalmente em questões ligadas ao trabalho que fazem com que Arménio Carlos olhe para este Governo como não sendo tão de esquerda como muitos afirmam.

"O PS fez uma viragem à esquerda relativamente aquilo que era tradicional mas, do ponto de vista da sua estrutura continua a não ser de esquerda - veja-se a questão da legislação laboral", afirmou o líder da CGTP.

As questões do trabalho são sempre um foco de luta para o dirigente e, por isso, Arménio Carlos sublinha a importância de ter "um outro olhar para o trabalho porque este continua a ser o parente pobre deste governo e isso não é bom" - sobretudo para um governo que diz querer quebrar com as políticas do passado.

"Chegou o momento de passar para o outro patamar que é romper com a estagnação", pediu o líder da CGTP.

Na entrevista à TSF que decorre no habitual Café de São Bento, Arménio Carlos também falou sobre as eleições legislativas marcadas para outubro de 2019. O dirigente sindical deseja que ninguém tenha uma maioria absoluta porque são "negativas para os trabalhadores" e, não existindo maiorias, os partidos são obrigados a chegar a consensos, algo que vê como positivo.

Mas para contrariar uma possível maioria absoluta do Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e Partido Comunista "têm de marcar a diferença em relação a questões estruturais como a legislação do trabalho e distribuição da riqueza".

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