Movimento Europa e Liberdade

MEL que sabe a fel. Quem são, quem vai e quem deu uma nega ao Movimento Europa e Liberdade

Assunção Cristas e Santana Lopes são dois dos oradores da I Convenção da Europa e da Liberdade. A construção de um horizonte futuro para Portugal é o objetivo, mas o presente faz-se de polémica.

Foi em maio de 2018 que Jorge Marrão e Paulo Carmona, dois dos dirigentes da Associação Missão e Crescimento, decidiram criar o Movimento Europa e Liberdade (MEL), que esta quinta e sexta-feira reúne diversas personalidades na I Convenção da Europa e da Liberdade, na Culturgest, em Lisboa.

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O MEL quer colocar os partidos "do centro da governação" (PS, PSD e CDS) a debaterem temas como os desafios da Europa na atual conjuntura. "Se conseguirmos alterar o discurso político e inová-lo nesse sentido, temos parte significativa dos objetivos da convenção atingidos", afirmou Jorge Marrão, presidente do MEL, em declarações à Lusa.

Mas o tema que mais tem dado que falar, nos últimos tempos, tem sido outro: será o MEL um embrião de um novo partido político de direita em Portugal? Os responsáveis do movimento garantem que não. Mas, entre a atual direção do PSD, a suspeita é real. E à esquerda, também há quem acredite nisso.

Rui Rio quer distância

O Presidente do PSD foi o primeiro a dar uma nega ao Movimento Europa e Liberdade. Fonte da direção social-democrata disse à agência Lusa que Rui Rio rejeitou o convite devido à presença de muitos oradores do partido que se têm dedicado "à destabilização" interna.

Uma opinião partilhada por Manuela Ferreira Leite que, já esta terça-feira, na TSF , aproveitou para reiterar a oposição a todos os que pretendem "puxar" o PSD para a ala direita do espetro político, situando a Convenção do MEL nesse espaço de oposição à atual liderança do PSD.

"Penso que é um movimento de muito curto prazo, efetivamente tem muito a ver com a oposição ao Rui Rio e pessoalmente sempre defendi que o PSD tinha adquirido um rótulo de direita do qual sempre discordei e que se tivesse alguma forma de combater teria combatido, salientou.

Na TSF, também Francisco Louçã , ex-coordenador do Bloco de Esquerda, situou o MEL no espaço de oposição a Rui Rio, chegando a compará-lo ao movimento de direita 'Tea Party' nos Estados Unidos.

"É um pouco uma tentativa, e não é a primeira nem será a última de 'Tea Party', uma força de opinião que depois entra num partido tradicional, neste caso seria o PSD, claro que o CDS vai à boleia, tem uma disputa com Rui Rio e portanto quer aproveitar esse espaço e vai por essa razão", sustentou Louçã.

Os presentes e os ausentes

Do lado socialista, o cabeça de cartaz seria António José Seguro. O ex-líder do PS​​​​ chegou a ser anunciado pela organização, mas não irá comparecer. E, à medida que foram saindo notícias que davam esta convenção como uma espécie de "estados gerais" da direita, o número de oradores que começaram a desmarcar-se foi aumentando,

Primeiro foi o deputado eleito nas listas do Partido Socialista, Paulo Trigo Pereira. Logo a seguir foi a vez de o eurodeputado do PS, Francisco Assis desistir também de participar na convenção por considerar que esta tem objetivos políticos contrários aqueles que defende.

No primeiro cartaz com o programa da convenção, constava também o nome de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas, a TSF sabe que o Presidente da República, tendo sido convidado, recusou de imediato e nunca se quis associar à iniciativa.

Confirmados estão líderes partidários, como Assunção Cristas, do CDS e Pedro Santana Lopes, da Aliança e personalidades políticas como Luís Amado, ex-ministro do PS, Marques Mendes, Luís Montenegro e Pedro Duarte, do PSD, ex-líderes do CDS, como Paulo Portas e Ribeiro e Castro e ainda Carlos Guimarães Pinto, da Iniciativa Liberal.

Em debate, na Culturgest, vai estar um "caminho de futuro para Portugal". Os vários painéis vão passar por temas como "o sistema político e os portugueses", "fazer crescer Portugal" ou "Portugal 2030 Cenários de desenvolvimento económico, social e político."

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