crise no psd

"Não sabe ouvir e não suporta uma crítica". Os argumentos dos críticos de Rui Rio

A candidatura de Luís Montenegro à presidência do PSD é apoiada por vozes contestarias da liderança de Rui Rio. Teresa Morais e Almeida Henriques acusam o atual presidente do PSD de "não saber ouvir" e "dividir o partido".

Teresa Morais, ex-ministra da Cultura e antiga vice-presidente social-democrata, tece duras críticas à atuação de Rui Rio enquanto presidente do Partido Social Democrata (PSD) e apoia a iniciativa de Luís Montenegro, ao desafiá-lo na liderança do partido.

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No Fórum TSF, Teresa Morais acusou Rui Rio de "hostilizar o seu grupo parlamentar", onde existiam dezenas de deputados dispostos a colaborar e a trabalhar com o novo presidente, mesmo aqueles que não o tinham apoiado no processo eleitoral".

Teresa Morais

"Quer o presidente, quer outros membros da direção, convidaram os militantes do partido a sair, se não estivessem de acordo com as opções da direção", revelou a social-democrata. Os convites surtiram efeito, na ótica de Teresa Morais, levando, por exemplo, à saída de Pedro Santana Lopes - "que formou outro partido e, portanto, criou outro problema para o PSD".

Teresa Morais fala numa "enorme desmotivação" dentro do PSD e garante que o partido "tem definhado, ao longo deste ano", o que diz ter sido provocado e desvalorizado por Rui Rio.

A ex-vice-presidente do PSD acusa o atual presidente do partido de "não sabe ouvir" nem "suportar uma crítica, mesmo que seja construtiva".

Este sentimento coletivo dentro do partido justifica, para a ex-vice-presidente, a atitude de Luís Montenegro. "O que Luís Montenegro fez, na prática, foi encarná-lo na sua pessoa e dar um passo em frente. Ele tinha as condições para o fazer e deu-o", defendeu. "O PSD é um partido plural, é um partido grande, com pretensões de poder e que quer voltar a exercê-lo. Nós não queremos ser a muleta do dr. António Costa."

"Esperemos agora que, no conselho nacional, as pessoas sejam livres e que livremente expressem a sua vontade", afirmou, alertando que é natural que os conselheiros sejam assediados para tomar determinada decisão. "A votação por voto secreto seria sempre mais livre, menos condicionada", concluiu.

Também António Almeida Henriques, ex-deputado do PSD e antigo secretário de Estado durante o Governo de Passos Coelho, mantém o apoio a Luís Montenegro.

António Almeida Henriques

Em resposta a Elina Fraga, que disse, na TSF, não reconhecer qualquer coragem a Luís Montenegro por ter evitado as eleições há um ano e agora desafiar diretamente Rui Rio , Almeida Henriques lamentou a falta de coragem do atual presidente do PSD, que não aceitou o desafio de marcar eleições diretas para a liderança do partido: "Esperaria que Rui Rio tivesse tido a coragem de aceitar as diretas. Essa é que era a atitude mais corajosa."

Em declarações à TSF, o apoiante de Luís Montenegro respondeu também às críticas quanto ao momento escolhido para o anúncio de uma candidatura à liderança. "O partido está amorfo. A trajetória que o partido está a ter está a levá-lo a um dos piores resultados que alguma vez teve em eleições. E se há um clima de paz podre, é preciso acabar com essa paz podre", declarou.

À semelhança de Teresa Morais, Almeida Henriques acusa Rui Rio de não conseguir unir o partindo, apontando como "crítico" o exemplo da saída de Pedro Santana Lopes do PSD, para formar um novo partido, a Aliança.

"O PSD não devia ter deixado Pedro Santana Lopes sair do partido. O líder do partido deveria ter promovido a unidade e fazer com que hoje não estivesse mais dividido, com o surgimento de mais um partido à direita", defendeu.

"O PSD não pode ser mais um partido que concorre a eleições para ser segundo. O PSD tem de ser um partido que concorre para ser o primeiro", concluiu.

*com Manuel Acácio, Fernando Alves e Paula Dias

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