As polémicas que valeram a Elina Fraga uma vaia no congresso do PSD

À semelhança de Marinho e Pinto, Elina Fraga nunca se coibiu de manifestar uma opinião desfavorável, mesmo que dirigida aos colegas de partido. É agora a nova nova vice-presidente do PSD.

O 37.º Congresso do PSD ficou marcado pela controversa escolha de Elina Fraga para vice-presidente do partido.

Uma "traição", nas palavras de Paula Teixeira da Cruz, apoiadas por muitos outros, que motivou inclusive vaias durante o anúncio dos eleitos para os novos órgãos nacionais do PSD. A visada desvaloriza. Diz-se "animada e convicta que posso dar um contributo para este novo ciclo".

No cerne da polémica está o facto de, em setembro de 2014, a então bastonária da Ordem dos Advogados ter apresentado uma queixa-crime contra todos os ministros do Governo de Pedro Passos Coelho que aprovaram o mapa judiciário.

A animosidade para com o ex-líder social-democrata é, contudo, posterior a este episódio. Elina Fraga apoiou Paulo Rangel nas diretas do PSD e no congresso de 2010, descrevia assim o discurso de Passos:

Antes de se tornar militante do PSD, a sucessora e protegida de Marinho e Pinto passou pelo CDS. Só não lhe assenta a caricatura de uma "Marinho e Pinto de saias" porque, diz quem a conhece, não as usa. Nem sequer teria votado no PSD "se soubesse das reformas na justiça", assumiu numa entrevista ao Público em 2013.

Sendo Rui Rio contra a judicialização da política, muitos questionam como pode a estratégia do novo líder ir ao encontro da posições resolutas assumidas por Elina Fraga enquanto bastonária da Ordem dos Advogados.

Para Fraga, o projeto de estatutos da ordem dos advogados, elaborado pelo Ministério da Justiça do Governo de Passos, retirava "a capacidade de intervenção e a independência dos advogados".

Quanto à revisão constitucional, não devia ser uma prioridade num período marcado por dificuldades financeiras, defendeu em 2010.

Em 2015, na cerimónia de abertura do ano judicial, disse que Justiça estava "a ultrapassar uma depressão catatónica, e que são os juízes, os procuradores e os advogados espalhados por todo o país que a tentam contrariar".

E um ano depois as críticas extravasavam o campo da justiça. "Hoje, com uma classe média esmagada por impostos, violentada por cortes e reduções de salários e pensões, não é possível continuarmos indiferentes ao empobrecimento desses cidadãos, exigindo o pagamento de taxas e de custas manifestamente insuportáveis para os seus orçamentos", disse na cerimónia de abertura do ano judicial de 2016.

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