Política

Os órfãos de Santana e o desastre das diretas. David Justino não poupa críticas a Montenegro

Se é contestado por vários, Rui Rio é apoiado por outros tantos. São muitos aqueles que mantêm a confiança no atual presidente do PSD e que atacam Luís Montenegro pela crise interna que está a provocar. David Justino e Paulo Mota Pinto são dois desses nomes.

David Justino, antigo ministro da Educação e atual número dois de Rui Rio na direção do partido, elogiou a responsabilidade demonstrada pelo atual presidente do partido ao recusar o desafio de Luís Montenegro para eleições diretas antecipadas no PSD.

O social-democrata está convicto de que, ao convocar o conselho nacional para uma moção de confiança, Rui Rio tomou a decisão acertada para "tentar clarificar, de uma vez por todas, o que o PSD quer".

"Se fôssemos para um processo de eleições diretas, queimávamos todo este período até às eleições europeias. Isso seria desastroso para o PSD e para o país", afirmou David Justino.

David Justino não considera relevante o facto de a votação se feita por voto secreto ou não, mas afirma que "se existe tanta gente corajosa, disposta a dar a cara pelas posições defendidas por Luís Montenegro, a votação explícita de braço no ar era a mais adequada". "Estamos a falar com pessoas livres, com pessoas responsáveis!", frisou.

David Justino

David Justino classificou ainda como uma "visão catastrofista" a posição defendida por Teresa Morais, em declarações à TSF, de que Rui Rio não suporta visões contrárias à sua e que isso conduziu à divisão do partido, ao longo do último ano.

"A dra. Teresa Morais devia reconhecer que, tendo apoiado diretamente e explicitamente o dr. Santana Lopes, ficou órfã após a sua saída (...) e é inversamente proporcional a liberdade da dra. Teresa Morais à responsabilidade que ela tem revelado", atirou.

A mesma linha crítica a Luís Montenegro é seguida por Paulo Mota Pinto, antigo vice-presidente do PSD. O social-democrata considera que a crise interna que Luís Montenegro abriu no PSD é inoportuna.

Paulo Mota Pinto

Em declarações à agência Lusa, Paulo Mota Pinto afirmou ser "muito inconveniente" interromper o ciclo normal e "impedir o balanço dos mandatos no tempo em que é devido".

"Trata-se de uma tentativa de interrupção já em período de preparação de eleições, o que acentua ainda mais a sua inoportunidade e não escapa também certamente ao julgamento dos militantes e à perceção democrática dos eleitores", lembrou o social-democrata.

*com Manuel Acácio e Nuno Domingues

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