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PCP disponível para apoiar proposta do BE para exonerar Carlos Costa

Após o Bloco apresentar um projeto de resolução a recomendar ao Governo que inicie o processo de exoneração do governador do Banco de Portugal, Jerónimo de Sousa reiterou que deve haver uma responsabilização.

Jerónimo de Sousa admite que o PCP pode apoiar a proposta do Bloco de Esquerda que pediu ao Governo que exonere Carlos Costa como governador do Banco de Portugal.

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O líder comunista recorda que o partido já tem feito "outras críticas anteriores" a Carlos Costa devido "à falta de um bom acompanhamento do supervisor em matérias tão sensíveis quando se tratou do dinheiro dos portugueses que ficaram com prejuízos imensos a que o Estado depois tem de dar resposta".

Em declarações aos jornalistas, Jerónimo ressalvou que há uma "responsabilização que deve ser apurada". "Essa resolução [do BE] com certeza vai ser discutida, estamos disponíveis para essa consideração, partindo de dados objetivos, não apenas o anúncio mas prova de que tais processos não mereceram por parte do atual do governador do Banco de Portugal aquilo que se exigiria que era o acompanhamento e a supervisão".

"Não conheço os fundamentos do projeto de resolução do BE. O que podemos dizer é que foram diversos os momentos em que criticámos o papel do supervisor, não só em relação ao processo da Caixa [Geral de Depósitos], mas outras instituições financeiras. A nossa crítica demonstrou que nem sempre o atual governador cumpriu da melhor forma e acompanhou esses processos", afirmou Jerónimo de Sousa.

Carlos Costa "não tem condições para continuar no cargo"

Lisboa, 06/06/2016 - Entrevista a Mariana Mortágua economista e deputada portuguesa do partido político português Bloco de Esquerda. ( Jorge Amaral / Global Imagens )

Esta tarde, o Bloco de Esquerda apresentou um projeto de resolução a recomendar ao Governo que inicie o processo de exoneração de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal. O anúncio foi feito pela deputada Mariana Mortágua que apresentou os argumentos para esta tomada de posição numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.

O Bloco de Esquerda entende que Carlos Costa "não tem condições para continuar no cargo" por falta de idoneidade. Em causa está o facto de o atual governador ter sido administrador da Caixa Geral de Depósitos e ter tomado decisões prejudiciais para o banco público.

"Aprovou operações que não cumpriram os pareceres de risco, sem que tenhamos noção de qualquer justificação para esse incumprimento. Algumas dessas operações resultaram em avultados prejuízos para a Caixa como a compra do empreendimento de Vale do Lobo", referiu Mariana Mortágua.

A deputada do BE garante que, enquanto administrador da Caixa Geral de Depósitos entre 2004 e 2006, Carlos Costa esteve envolvido na concessão de um "empréstimo de 170 milhões de euros para a compra do empreendimento de Vale do Lobo, bem como empréstimos a Manuel Fino e Joe Berardo para a compra de ações do BCP, da Cimpor e da Soares da Costa". Deputada salienta que pedido o de escusa feito pelo governador só prova que há "um conflito de interesses e uma ligação à Caixa".

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