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"Uma bandalheira." Críticas e berros na reunião da bancada do PSD

Foi quente - muito quente - a reunião da bancada do PSD desta quinta-feira à tarde sobre as propostas de alteração que o partido apresentou para o Orçamento do Estado para o próximo ano. Quase todos os deputados manifestaram-se contra a proposta do partido para taxar a especulação imobiliária.

"Uma bandalheira como nunca se viu." A descrição, feita por um dos deputados que esteve na reunião da bancada do PSD, é corroborada - por outras palavras - por vários outros deputados ouvidos pela TSF, que relatam os "berros", "deputados a falarem todos ao mesmo tempo" e, sobretudo, as "críticas duríssimas" dirigidas à direção de Fernando Negrão.

Em cima da mesa estavam as 104 propostas de alteração apresentadas pelo PSD no âmbito do Orçamento do Estado para 2019. A mais polémica, de longe, é a taxa contra a especulação imobiliária - conhecida por taxa Robles - que Rui Rio decidiu apresentar.

Ao que a TSF apurou, apenas um deputado - António Topa - apoiou, durante a reunião, esta proposta. Todos os outros, manifestaram-se contra. Incluindo deputados que são apoiantes de Rui Rio desde a primeira hora. Como é o caso de Ricardo Batista Leite, que terá acabado a reunião "aos berros" com a direção da bancada.

Margarida Balseiro Lopes, líder da Juventude Social Democrata (JSD) e também ela apoiante de Rui Rio, foi outra das vozes que se levantou contra a proposta do partido para taxar a especulação imobiliária. Uma posição, de resto, já manifestada pela líder da JSD, na última reunião da Comissão Política Nacional do partido.

Outra das propostas, duramente criticada, foi a que o PSD decidiu apresentar para a reposição integral das carreiras dos professores. Ao que a TSF apurou, Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, foi uma das que mais críticas fez a esta proposta, acusando a direção da bancada de incoerência.

Decidir primeiro, perguntar depois

A reunião começou logo mal para Fernando Negrão. Alguns deputados questionaram a direção da bancada sobre a forma como todo o processo de apresentação de propostas para o Orçamento do Estado decorreu. Um deles, Álvaro Batista, apoiante de Rui Rio desde a primeira hora, usou da palavra precisamente para demonstrar a sua indignação.

Vários outros deputados terão manifestado a sua indignação por não serem ouvidos pela direção da bancada, sobretudo nas áreas que acompanham, como a saúde ou a educação. Ricardo Batista Leite terá sido um deles.

Ordem para desdramatizar

Fernando Negrão terá falado muito pouco durante toda a reunião e limitou-se, na maior parte dos casos, a dar a palavra aos vários deputados que iam pedindo para falar. A defesa da direção da bancada terá ficado a cargo, sobretudo, dos vice-presidentes António Leitão Amaro e Duarte Pacheco, que foram respondendo, como podiam, às críticas que iam sendo feitas.

Mas nem todos os deputados resumem a reunião desta quinta-feira à tarde da mesma forma, apesar de todos admitirem que foi tensa e muito dura. Alguns dos deputados ouvidos pela TSF lembram, no entanto, outras reuniões de bancada, durante a troika, sobretudo, que foram tão ou mais difíceis do que esta. E há até quem recorde o tempo em que Manuela Ferreira Leite era líder do PSD, em que houve reuniões igualmente difíceis.

À saída da reunião, o líder da bancada reconheceu, aos microfones dos jornalistas, que houve algumas críticas e admitiu mesmo alterar a proposta do PSD para taxar a especulação imobiliária, recusando, no entanto, negociar a do Bloco de Esquerda por considerar que é inconciliável. "O grupo parlamentar tem dezenas de deputados e eu só ouvi críticas de três deputados em relação a essa proposta. Mas nós, obviamente que se forem corretas tecnicamente e politicamente avaliadas, admitimos a sua alteração" , afirmou à saída.

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