Árvores caídas são "deserto chocante". Chuva e vento não param há 15 dias, mas Dina e Isabel também não

Créditos: Paulo Cunha/Lusa
Desde o dia 28 de janeiro, quando a tempestade varreu a zona centro do país, Dina teve ainda de acolher familiares que ficaram em piores condições do que a sua: "Eles ficaram sem teto e não têm luz. Estão a viver na minha casa já há duas semanas. Nem sabem quando é que vão vão sair dali"
Em Leiria ainda se limpam os muitos destroços que ficaram após a tempestade Kristin. Há brigadas que não têm baixado os braços para que a cidade volte a ter o antigo rosto. E fazem-no mesmo debaixo da intempérie. Dina e Isabel não têm parado nos últimos 15 dias, sempre à chuva e ao vento.
"Temos tido muito trabalho, muito mesmo. O que houver para limpar, nós estamos a limpar tudo. Estivemos a tirar madeira da borda da estrada para não estorvar, tudo. A gente faz tudo o que a empresa manda. As chapas do tribunal - era eu que lá estava mais um grupo -, nós tiramos aquilo tudo da estrada num dia", conta Isabel à TSF.
Estas duas mulheres trabalham para a empresa de limpeza urbana que faz serviço para a Câmara Municipal de Leiria. Elas próprias têm as casas com muitos danos, mas todos os dias vão trabalhar em prol da comunidade.
Dina faz contas aos danos na habitação: "O telhado, uma janela, os estores e o vidro." Já Isabel teve prejuízos em dois quartos, na marquise, nos muros, num dos "portões grandes" e, claro, no telhado da casa.
Desde o dia 28 de janeiro, quando a tempestade varreu a zona centro do país, Dina teve ainda de acolher familiares que ficaram em piores condições do que a sua.
"Eles ficaram sem teto e não têm luz. Estão a viver na minha casa já há duas semanas. Nem sabem quando é que vão vão sair dali."
Mas estes problemas têm de ficar para trás diariamente, porque na cidade veem-se ainda muitas árvores caídas ou cortadas, chapas retorcidas, vidros estilhaçados no chão. Sendo assim, há muito por limpar.
"É um bocado stressante e ainda no domingo andei a trabalhar às 04h00. Passei no Jardim Camões e eu fiquei em choque porque ainda não tinha lá passado. O deserto que lá está é chocante: árvores tiradas do chão, tudo arrancado, é demais", detalha Isabel.
É por estas razões que Dina e Isabel fazem um esforço diário para dar um novo rosto a uma cidade que começa a reerguer-se aos poucos.
Pela cidade de Leiria estão espalhados vários ecrãs luminosos onde se pode ler "Ajude-nos a reerguer Leiria!" e "Juntos somos mais Fortes!".
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.