Luz na casa de uns, escuridão na de outros: Alvaiázere em clima de "tensão" pede mais meios

Créditos: Carlos Barroso/Lusa (arquivo)
Pouco antes de prestar declarações à TSF, o autarca de Alvaiázere, João Guerreiro, conta que foi aborado por um senhor de 82 anos, que mora com a irmã de 93, por não ter energia elétrica em casa, enquanto que a vizinha da frente tem: "É uma situação muito difícil"
Luz na casa de uns, escuridão na de outros: o autarca de Alvaiázere, no distrito de Leiria, pede mais meios no terreno para resolver as ligações de baixa tensão. Há já 15 dias que muitas centenas de pessoas continuam sem luz em casa e a incompreensão começa a ser também um desafio, sobretudo nos casos em que há energia na casa dos vizinhos.
Em declarações à TSF, João Guerreiro explica que, com as linhas em carga, há quem tenha finalmente acesso à eletricidade em casa. Mas tal não implica que a mesma realidade seja vivida na habitação imediatamente a seguir. Esta discrepância tem gerado "tensão" junto da população.
"Alguns têm acesso [à eletricidade] porque a sua linha não foi danificada. Mas às vezes o vizinho não tem acesso e isto gera ainda mais tensão junto da população, porque veem ali tão perto a energia e é muito difícil explicar às pessoas que não se consegue fazer ligação", sustenta.
Só os técnicos e empresas devidamente certificados pela E-Redes é que conseguem solucionar o problema. No entanto, com as pessoas "saturadas" de estarem há tanto tempo sem energia, este argumento cai muitas vezes por terra.
"Ainda há pouco estava na câmara a sair para o terreno e fui abordado por um senhor que tem 82 anos e que mora com a irmã de 93, já com muitas dificuldades de locomoção, com bengalas, e que não tem energia elétrica e a vizinha da frente tem. É uma situação muito difícil", exemplifica.
Apesar de os problemas de média tensão estarem resolvidos, o autarca nota que falta fazer as ligações a habitações, num concelho com centenas de quilómetros de linhas de baixa tensão afetadas. Por isso, o município pediu à E-Redes a "disponibilização de mais equipas de baixa tensão" para resolver os vários problemas que existem no terreno, considerando que os recursos, neste momento, são escassos
João Guerreiro assume igualmente preocupação com a "quantidade de linhas que estão no chão", próximas das habitações: "O nosso maior receio é que haja alguma fatalidade", confessa, sublinhando a urgência de uma intervenção.
O autarca lembra que, em Leiria, já existiram duas mortes por quedas em telhados que estavam a ser reparados e duas intoxicações com dióxido de carbono "por causa da má utilização de geradores".
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
