
Créditos: José Carmo/Global Imagens (arquivo)
Técnicos, enfermeiros e médicos formados, nomeadamente em SIV, SAV ou de trauma a contratar pelo INEM passam a ter de fazer a formação básica fora. Em Portugal, a empresa que se apresenta como a maior do setor e tem várias dessas certificações internacionais é a Ocean Medical, fundada pelo atual presidente do INEM, Luís Cabral, e que está a ser investigada pelo Ministério Público de Lisboa
Fontes do INEM avançam à TSF que a deliberação que redefiniu o modelo de formação não só entrega a entidades externas a instrução dos profissionais da emergência, como pretende que sejam estes a pagar do seu bolso ações que, até agora, podiam ser feitas gratuitamente no instituto. O INEM garante que só está a cumprir as recomendações da Comissão Técnica Independente.
A redefinição da formação - que dita que o instituto deixará de integrar no seu portfólio a formação certificada em Tripulante de Ambulância de Transporte (TAT) e Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS), suporte básico, imediato e avançado de vida (SBV, SIV e SAV), assim como Suporte Avançado de Vida Pediátrico (SAVP) - foi decidia pelo Conselho Diretivo do INEM, que diz por sua vez que só está a cumprir as recomendações da comissão técnica independente.
Fontes do instituto avançam à TSF que, além destas mudanças, a nova medida pretende que sejam esses profissionais a pagar as formações do seu bolso - ações essas que, até agora, podiam ser feitas gratuitamente no INEM.
No que toca aos tripulantes de ambulância, o objetivo é entregar a formação à Escola Nacional de Bombeiros. Fontes dos bombeiros contactados pela TSF garantem que está fora de questão serem as corporações a pagar. Em causa estão uma formações que podem, por exemplo, rondar os 500 euros por pessoa e que têm sido pagas através de protocolos com o INEM.
Técnicos, enfermeiros e médicos formados, nomeadamente em SIV, SAV ou de trauma a contratar pelo INEM passam a ter de fazer a formação básica fora. O instituto apenas assegura a formação quanto aos protocolos de atuação em cada cenário e exige, depois, que os profissionais façam essa formação junto de entidades com certificado internacional - por exemplo, Cruz Vermelha, alguns politécnicos e empresas privadas.
Em Portugal, a empresa que se apresenta como a maior do setor e tem várias dessas certificações internacionais é a Ocean Medical, fundada pelo atual presidente do INEM, Luís Cabral, que se desvinculou da empresa em 2012 para assumir um cargo no Governo dos Açores.
A Medical Ocean, apurou a TSF, está desde 2024 e até hoje a ser investigada pelo Ministério Público de Lisboa por suspeitas de relações demasiado próximas com profissionais do INEM.
*Notícia atualizada às 15h30