"Batemos no fundo." Demissões na urgência do Amadora-Sintra devem-se a "situação insustentável do ponto de vista ético"

Mário Vasa (arquivo)
À TSF, André Arraia Gomes considera que não se pode aceitar que "os procedimentos errados se tornem padrão"
O presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), André Arraia Gomes, considera que o Hospital Amadora-Sintra "bateu no fundo" e que as demissões das duas chefes da equipa de urgência se devem a "uma situação insustentável do ponto de vista ético", depois da "situação crítica" vivida nas urgências da unidade hospitalar de sexta-feira para sábado.
"A chefe e a subchefe de equipa de urgência do Hospital Amadora Sintra, na sequência do infeliz episódio da noite de 2 para 3 de janeiro, onde houve uma enorme escassez de recursos humanos, de médicos, no serviço de urgência. Apenas um médico no período noturno para os balcões de atendimento. Portanto, uma situação insustentável do ponto de vista ético e que põe em causa a boa prática médica e que levou, portanto, à demissão destas duas colegas. Infelizmente, o Hospital Amadora-Sintra está numa situação muito complicada, desde há várias situações, e esta situação foi uma situação onde batemos no fundo", disse o presidente do sindicato em declarações à TSF.
André Arraia Gomes acrescenta que as demissões das duas chefes da urgência eram perfeitamente evitáveis e diz que o problema mais grave está na construção das escalas de serviço.
"A escala foi construída dessa maneira, o que acaba por ser mais grave. Ou seja, não estamos perante um imprevisto. A ocorrência não se deu naquele dia. Não. A escala foi construída daquela maneira e, portanto, leva-nos também a uma preocupação ainda maior que é: nós não podemos tolerar, não podemos aceitar que as escalas sejam construídas desta maneira e que os procedimentos errados se tornem padrão. O padrão tem de ser o melhor funcionamento. Não podemos aceitar como padrão escalas como aquela que foi construída para o dia 2", critica.
A administração do Amadora-Sintra está demissionária desde novembro, por causa da morte de uma grávida, mas ainda não foi substituída. A TSF já procurou explicações junto da Direção-Executiva do SNS, mas ainda não obteve resposta.
