
Créditos: Júlio Lobo Pimentel/Global Imagens
No noite de sexta-feira para sábado, apenas um médico estava responsável por 179 doentes em circulação na urgência
A Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra garante que na noite de sexta-feira para sábado (dia 2 e 3) de janeiro estavam escalados seis médicos para o serviço de Urgência Geral.
A unidade comunicação e informação desta ULS esclarece, numa resposta enviada à TSF, que estavam escalados seis médicos na noite em que a "situação crítica" vivida nas urgências levou à demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral. A equipa das urgências está, contudo, organizada "em duas áreas funcionais" - ambulatório e serviço de observação -, sendo que os médicos escalados são distribuídos por ambas "consoante as necessidades".
Por outro lado, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul refere que a equipa médica escalada "era manifestamente insuficiente para a dimensão da afluência e da gravidade clínica existentes" e explica que, até às 00h00 de sexta-feira (2 de janeiro), a escala incluía um chefe de equipa, quatro médicos no serviço de observação e dois médicos na área ambulatória, mas a partir dessa hora, e até às 08h00 de sábado, "permaneceu apenas um médico para todos os doentes da área ambulatória".
No início da noite, estavam 179 doentes em circulação na urgência, com mais de 60 doentes internados no serviço de observação.
O Hospital Fernando Fonseca reconhece que a "pressão sobre a urgência geral é muito elevada", sobretudo devido ao número de utentes sem médico de família e ao inverno que se tem feito sentir. A isto, soma-se também a "crónica falta de camas para internamento" nesta instituição. Este contexto cria "constrangimentos no funcionamento do serviço de urgência".
Mas o sindicato fala numa "situação absolutamente inaceitável do ponto de vista clínico e organizacional", lembrando que, no início da noite, estavam 179 doentes em circulação na urgência, com mais de 60 doentes internados no serviço de observação. E responsabiliza a administração da ULS pela "incapacidade de gestão", bem como a "inação do Governo". O presidente da ULS Amadora-Sintra demitiu-se no início de novembro, na sequência de um caso envolvendo a morte de uma grávida, e ainda não foi substituído.
Ainda assim, a ULS garante continuar "empenhada na monitorização permanente do funcionamento da urgência e na adoção de medidas ajustadas ao atual contexto de elevada pressão assistencial".
Em vigor está já o nível 3 do Plano de Contingência de Inverno na ULS Amadora-Sintra, "com vista a reforçar a capacidade de resposta e a assegurar a continuidade dos cuidados de saúde prestados à população".
