
José Manuel Pureza
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O dirigente do BE José Manuel Pureza diz que «não faz sentido» falar em alianças com todos. Uma ideia partilhada por Ângelo Alves do PCP que considerou o discurso do líder do PS contraditório.
José Manuel Pureza manifestou hoje «grandes dúvidas sobre o alcance» da abertura por parte do PS a coligações e rejeitando entrar «em cosmética política».
No final do XIX Congresso Nacional, José Manuel Pureza foi questionado pelos jornalistas sobre a abertura manifestada hoje por Seguro para coligações governamentais e acordos de incidência parlamentar, confessando o bloquista ter ficado «com grandes dúvidas sobre o alcance do que está em causa» e que «alianças com todos é qualquer coisa que não faz sentido».
«Quando se propõe uma coligação, ou um acordo ou uma aliança com todos, eu acho que isso não tem contorno político definido», disse José Manuel Pureza.
O bloquista garante que o partido estará disponível para «uma aliança para cortar com esta política, para cortar com o memorando da troika que está na origem desta política» mas rejeita «entrar em cosmética da política».
«O pior que se pode fazer ao país neste momento é enganar as pessoas e nós não queremos fazer isso, portanto, alianças, convergências, tudo quanto seja para cortar com esta política, aí estaremos», observou.
Já Ângelo Alves, da Comissão Política do PCP, acusou António José Seguro de fazer um discurso contraditório ao «pedir uma maioria absoluta com todos».
«O PS fala aqui de um novo rumo para Portugal mas sai deste congresso com um problema, porque apresenta um conjunto de propostas avulsas, algumas que poderíamos apoiar, mas não toca nas questões estruturais e que estão em jogo quando olhamos para a situação do país», criticou.
O dirigente comunista lamentou que «quer o discurso de abertura, quer de encerramento, abandonem curiosamente a exigência de demissão imediata do Governo» e não toquem «na necessidade premente de rejeitar o pacto de agressão».
«Não se toca na questão de não só travar a austeridade, mas fazer marcha atrás no que foi a retirada de direitos de poder de compra aos trabalhadores e ao povo português, isso fica ausente deste discurso», acrescentou.
Ângelo Alves frisou que «sem tocar no memorando de entendimento, sem pedir a demissão imediata do Governo, é impossível um novo rumo para Portugal».
«O PS sai daqui com um problema e nesse problema o PCP não se quer envolver», rematou.