Cargueiro à deriva na Figueira da Foz deverá ser rebocado, mas "não está desgovernado"

Créditos: Paulo Novais/Lusa
À TSF, o comandante do porto da Figueira da Foz, Paulo Salvado Pires, garante não há qualquer "risco substancial" relativamente a esta situação, uma vez que o navio "não está desgovernado". A causa da avaria no leme do navio ainda não é conhecida
O cargueiro que está à deriva, sem leme, ao largo da Figueira da Foz, deverá ser rebocado para os portos de Lisboa ou de Setúbal, uma operação dificultada pelo agravamento do estado do mar, disse a autoridade marítima.
Em declarações à agência TSF, o comandante do porto da Figueira da Foz, Paulo Salvado Pires, explica que o cargueiro terá de ser rebocado devido a uma "limitação" no leme. No entanto, o sistema de propulsão funciona em boas condições e, com o auxílio de uma hélice na proa, o navio consigue manter a posição que lhe foi indicada "sem qualquer dificuldade".
O camandante garante, assim, que não há qualquer "risco substancial" relativamente a esta situação, uma vez que o navio "não está desgovernado". Face ao agravamento do estado do mar previsto para as próximas horas, foi dado indicação ao navio - que está a deslocar-se lentamente, de marcha a ré - para se afastar gradualmente da costa.
"Será necessário rebocar [o cargueiro], atendendo que está com esta limitação no leme. Não é aconselhável nem conseguirá fazê-lo, ou seja, não conseguirá entrar no porto de maneira a atracar e poder permanecer em segurança, portanto, terá de ser rebocado. Como é um navio de grandes dimensões e como a agitação marítima neste momento é considerável, vamos ter de recorrer a um serviço de reboque ofereça características para poder fazer este serviço", esclarece.
Paul Salvado Pires rejeita ainda estabelecer uma correlação com o incidente com a dragagem que foi feita junto ao porto da Figueira da Foz.
"Neste momento não foi determinada a causa da avaria. Não sabemos a que é que se deve a avaria. E, relativamente às dragagens, as dragagens que têm estado a decorrer, quanto muito, no meu entendimento, facilitam a manobra dos navios, ou seja, melhoram as condições de acessibilidade ao porto, na medida em que vão aprofundando um pouco mais ainda o canal. Daí de maneira que não vejo nenhuma relação com este incidente", afirma.
A barra da Figueira da Foz está fechada a toda a navegação desde as 14h00 desta segunda-feira.
Pelas 15h00 desta segunda-feira, o Eikborg estava a cerca de quatro milhas náuticas da Figueira da Foz (sensivelmente sete quilómetros).
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu dois avisos amarelos de agitação marítima para o litoral do distrito de Coimbra: o primeiro está em vigor até às 18h00 desta segunda-feira (com ondas de noroeste entre os quatro e os cinco metros), seguido de outro, até às 12h00 de terça-feira, com ondas de oeste/sudoeste entre os quatro e cinco metros.
Entre as 12h00 de terça-feira e as 07h00 de quinta-feira o nível de aviso de agitação marítima passa a laranja, com ondas de noroeste com cinco a sete metros, podendo atingir 12 metros de altura.
O cargueiro Eikborg tem 89 metros de comprimento e ficou com o leme de direção inutilizado por, alegadamente, ter batido no fundo devido à acumulação de areias na barra da Figueira da Foz, ao início da manhã desta segunda-feira, quando saía do porto comercial com uma carga oriunda da celulose Celbi, do grupo Altri, disse fonte portuária.
