
Figueira da Foz
Créditos: Paulo Novais/Lusa
O Eikborg, de bandeira dos Países Baixos, está a cerca de 27,1 milhas náuticas a oeste da Figueira da Foz
O navio cargueiro que ficou sem leme e à deriva, na manhã de segunda-feira à saída da barra da Figueira da Foz, estava, pelas 08h45 desta terça-feira, a cerca de 50 quilómetros (km) da costa.
De acordo com informação, consultada pela agência Lusa e disponível na página Marine Traffic, que permite ver o tráfego mundial de navios, o Eikborg, de bandeira dos Países Baixos, está a cerca de 27,1 milhas náuticas a oeste da Figueira da Foz, acompanhado por um navio de patrulha oceânica da Marinha, que chegou ao local ao início da madrugada desta terça-feira.
As 27 milhas náuticas ficam fora do mar territorial português, que vai até às 12 milhas e também da zona contígua (das 12 às 24 milhas) onde as autoridades portuguesas exercem fiscalização, mas dentro da zona económica exclusiva - que se estende até às 200 milhas marítimas - e da região portuguesa de busca e salvamento marítimo.
O navio cargueiro Eikborg tem a bordo seis tripulantes, todos estrangeiros (o capitão é holandês, havendo ainda dois indonésios, um letão, um russo e um filipino) e transporta 3.300 toneladas de pasta de papel (carga oriunda da celulose Celbi, do grupo Altri), que tinham como destino um porto alemão.
O navio, com 89 metros de comprimento e 18 anos (foi construído em 2008) é propriedade de uma empresa do grupo neerlandês Royal Wagenborg, fundado em finais do século XIX e que possui 160 navios de carga e cerca de três mil trabalhadores.
Na manhã de segunda-feira, o Eikborg ficou à deriva, sem leme, à saída da barra da Figueira da Foz, depois de alegadamente ter batido no fundo, presumivelmente devido à acumulação de areias no local, disse fonte da comunidade portuária.
Para garantir a estabilidade do cargueiro, o comandante optou por navegar de marcha-a-ré, a velocidade reduzida em redor de um nó (cerca de 2 km por hora), dispondo, no entanto, de uma hélice de propulsão na proa, que permite alguma manobrabilidade ao navio, disseram fontes portuárias e da Marinha.
Aquando da saída da barra, que tem orientação a sudoeste, pelas 08:20 de segunda-feira, o navio rumou, primeiro, a uma zona de fundeamento de embarcações que esperam a entrada no porto comercial, localizada a cerca de três milhas náuticas (5,5 km) da Figueira da Foz, onde se manteve, em marcha lenta, durante quase três horas.
Depois, por indicação da autoridade marítima e devido ao estado do mar, o Eikborg foi progressivamente afastando-se da costa, navegando sempre de marcha-atrás.
A agitação marítima na costa portuguesa tem tendência para piorar nos próximos dias, o que estará a impossibilitar o reboque, em segurança, do cargueiro.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera atualizou esta terça-feira os avisos meteorológicos para a costa portuguesa: o aviso laranja para ondas de noroeste de cinco a sete metros, que podem chegar aos 12 metros, entrou em vigor às 09h00 e vai manter-se até às 03h00 de quarta-feira, altura em que passará a vermelho, até às 21h00 daquele dia (ondas de oeste/noroeste com sete a oito metros, podendo atingir 14 metros de altura máxima).
