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Enquanto alguns profissionais defendem o uso do cigarro eletrónico como auxiliar para deixar de fumar, outros especialistas, dizem que primeiro é preciso conhecer os efeitos do produto na saúde antes de usá-lo.
O prejuízo para a saúde dos cigarros eletrónicos é tema de intenso debate e de argumentos opostos.
Quarta-feira, um grupo de 50 especialistas em tabaco, cancro e dependências e profissionais da saúde de países ocidentais apelaram à diretora-geral da OMS, Margaret Chan, para que «liberte o potencial» dos cigarros eletrónicos e produtos do tabaco sem combustão.
«O potencial destes produtos (...) para reduzir o fardo das doenças devidas ao tabagismo é muito grande, e estes produtos poderiam estar entre as inovações mais importantes do século XXI em matéria de saúde», sublinham estes epsecialistas.
O desejo de «controlar e suprimir [os cigarros eletrónicos], enquanto produtos tabágicos, deveria ser travado e a OMS deveria defender a regulamentação do seu uso, concebida para libertar o seu potencial», defenderam os membros deste grupo, «preocupados» com a sua equiparação ao tabaco e que faria «mais mal que bem».
Já a Sociedade Portuguesa de Pneumologia não defende esse ponto de vista e considera que o cigarro eletrónico não deve ser utilizado enquanto não se conhecerem em definitivo os efeitos que tem na saúde.
Carlos Robalo Cordeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, prefere uma aposta na prevenção junto das escolas e a promoção da desabituação de fumar em vez de «uma nova habituação como é esta forma de utilização do hábito tabágico».
Cerca de 1,3 milhões de pessoas fumam atualmente e a OMS prevê que o tabaco vai causar, no século XXI, até mil milhões de mortos «prematuros e evitáveis».
A OMS tem uma visão conservadora sobre o cigarro eletrónico. A sua inocuidade e eficácia para terminar com a dependência não estão demonstradas e a sua utilização «é vivamente desaconselhada», indica uma ficha da OMS datada de julho de 2013.