Como recuperar de uma intempérie? Psicólogos lançam guia de sobrevivência para "situações de grande adversidade"

Créditos: António Pedro Santos/Lusa
A Ordem dos Psicólogos, em conjunto com a Direção-Geral de Saúde e a Autoridade Nacional de Proteção Civil, criou o guia "Como recuperar emocionalmente de situações de tempestades e inundações". Em declarações à TSF, a bastonária Sofia Ramalho destaca algumas dicas
Ser paciente, tentar manter os horários habituais para as refeições ou para descansar e combinar um ponto de encontro com familiares, para quando as comunicações falham. Estes são alguns dos conselhos deixados pela Ordem dos Psicólogos no guia "Como recuperar emocionalmente de situações de tempestades e inundações".
O documento, criado em conjunto com a Direção-Geral de Saúde e a Autoridade Nacional de Proteção Civil, deixa algumas dicas de como sobreviver a estes dias de intempérie. Em declarações à TSF, a bastonária Sofia Ramalho destaca um conselho em particular.
"Que as pessoas não se isolem, que mantenham o contacto permanente, até combinar numa determinada hora para poderem ir fazendo pontos de situação, mas também para poderem estar com as suas pessoas mais próximas e manter um contacto permanente e poderem apoiar-se mutuamente umas às outras e recorrer às equipas especializadas de intervenção em crise sempre que necessário."
Sendo esta uma "situação de grande adversidade", Sofia Ramalho afirma que isso "implica estar à procura de sobrevivência, do ponto de vista material, e da segurança, do ponto de vista psicológico".
A bastonária destaca que este tipo de eventos pode ser muito traumático, com os efeitos a poderem prolongar-se no tempo. Por isso, é importante pedir ajuda.
"As pessoas ficam preocupadas e ansiosas relativamente ao que vai acontecer a seguir, como vão repor a sua situação de segurança, o espaço onde habitualmente tinham o teto e o conforto e têm muita dificuldade em voltar a repor as rotinas", sublinha.
Alterar as rotinas, bem como assistir a todo o sofrimento, "gera um impacto psicológico muito significativo", argumenta, frisando que, "em alguns casos, poderá um impacto mais momentâneo e, por isso, existe a resposta de emergência do ponto de vista do apoio psicológico".
"Mas há outras situações que se prolongarão no tempo e que fazem com que as pessoas revivam a cada momento os aspetos mais traumáticos", acrescenta.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
