"Com linha política diferente", oposição interna do BE avança com alternativa a Mortágua

Henriques da Cunha/Global Imagens (arquivo)
Em declarações à TSF, Carlos Matias afirma que o movimento Convergência quer criar "uma plataforma unitária" e aglutinar "outras sensibilidades".
A oposição interna do Bloco de Esquerda vai avançar para a liderança do partido. Com a saída de cena de Catarina Martins e a candidatura de Mariana Mortágua, o movimento Convergência aponta que o próximo líder do partido tem de ser alguém "comprometido com uma linha política diferente".
"Não vai apresentar um candidato, vai apresentar uma lista à direção nacional. Este ainda não é o tempo de nós apresentarmos um rosto, mas ele será com certeza apresentado. Apresentaremos uma lista de candidatos e todos os militantes do bloco saberão quem é em primeira mão", garante Carlos Matias, do movimento Convergência, à TSF.
O militante bloquista refere que a candidatura partirá de "uma plataforma unitária que não se resume à Convergência" e quer aglutinar "outras sensibilidades".
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"Na altura oportuna emergirá uma lista de candidatos à direção nacional, com um primeiro candidato, e essa é uma decisão para o seu tempo que ainda não é agora", reitera.
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O rosto dessa "plataforma unitária" ainda é uma incógnita, mas é certo que não será Mariana Mortágua.
"Não gostaria de falar de nomes nenhuns. O que me parece é que tem de ser um nome comprometido com uma linha política diferente. Não estou a ver como é que Mariana Mortágua irá comprometer-se com uma linha política contrária àquela que tem permanentemente defendido. Pese embora, evidentemente, todos os méritos da camarada e as suas capacidades pessoais. Não é isso que está em causa. O que está em causa é o compromisso com um programa e com uma mudança no Bloco", explica Carlos Matias.
Mas que nova linha política é essa? Carlos Matias não adianta detalhes, mas acredita que as relações à esquerda têm de mudar.
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"Uma certa subordinação e um certo apagamento das propostas autónomas do Bloco de Esquerda em relação ao Partido Socialista não dão bom resultado. Pelo contrário, enfraquecem a esquerda e enfraqueceram eleitoralmente o Bloco de Esquerda. Esse rebatido apagamento do projeto autónomo do Bloco tem de acabar", considera o membro do movimento Convergência.
A XIII Convenção do Bloco de Esquerda está marcada para os dias 27 e 28 de maio, em Lisboa. A atual coordenadora nacional do partido, Catarina Martins, anunciou que não se recandidatará anuncia que vai deixar a liderança do Bloco de Esquerda. A ainda coordenadora considera que a "instabilidade da maioria absoluta" é sinal do fim de um ciclo.
Por outro lado, Mariana Mortágua vai apresentar a candidatura à liderança do Bloco de Esquerda, apurou a TSF. A deputada tem o apoio da ainda coordenadora, Catarina Martins, e é o nome mais consensual entre as várias correntes do partido.