"Decisão inevitável, havia total impreparação da senhora ministra." ASPP aponta responsabilidade a Montenegro por demissão da MAI

Créditos: Carlos Carneiro (arquivo)
Em declarações à TSF, o presidente da ASPP, Paulo Santos, refere que quem assumir a pasta deve ter "peso político e influenciar o primeiro-ministro naquilo que é a ação governativa"
A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) diz que Luís Montenegro também tem responsabilidade na saída da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral. Em declarações à TSF, o presidente da ASPP, Paulo Santos, considera que a saída era incontornável.
"Esta decisão era inevitável. Havia uma total impreparação da senhora ministra para assumir esta pasta. Há uma responsabilidade direta do primeiro-ministro, que é quem escolhe os ministros e quem os mantém. Parece-me agora importante que se escolha a pessoa certa para um Ministério complexo e exigente, mas a verdade é que a senhora ministra não era a pessoa certa no lugar, mas também não podemos ignorar a responsabilidade global do Governo e do seu primeiro-ministro", explica à TSF Paulo Santos.
O presidente da ASPP traça o perfil de quem deve, agora, assumir a pasta da Administração Interna.
"Alguém que tenha peso político, alguém que perceba da matéria, alguém que possa influenciar o primeiro-ministro naquilo que é a ação governativa. Parece-me muito importante não só alterar o perfil da pessoa que está à frente do Ministério, mas alterar as políticas, ir ao encontro daquilo que são as reivindicações legítimas por parte dos sindicatos e das associações", afirma.
Paulo Santos acrescenta que é essencial "perceber-se aquilo que está a acontecer no Ministério da Administração Interna e nas polícias", sublinhando "uma total descapitalização do seu efetivo, falta de investimento e um incumprimento do Governo, por um acordo que foi celebrado".
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, pediu a demissão e o Presidente da República aceitou-a, segundo uma nota oficial divulgada na terça-feira à noite.
O comunicado explicita que será o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que "assumirá transitoriamente as respetivas competências", logo que a exoneração se torne efetiva.
Esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 05 de junho de 2025.
A demissão da ministra da Administração Interna aconteceu na véspera do debate quinzenal no parlamento na quarta-feira, que deverá ficar marcado pela atuação do Governo na resposta às consequências do mau tempo que causou 15 mortes em Portugal nas últimas duas semanas.
Com parte do país (68 concelhos) em situação de calamidade até domingo, Luís Montenegro responderá pela primeira vez na Assembleia da República à oposição, que criticou a atuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem precisamente a demissão da ministra da Administração Interna.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
