Desligados do mundo e de regresso "à dor e trauma de 2017": associações questionam Governo após tempestade

Créditos: Paulo Cunha/Lusa
Seis dias depois da passagem da depressão Kristin, há várias zonas do país que continuam sem eletrecidade. "É um situação dramática" que contribui para o "isolamento" de populações e que faz lembrar "a dor e trauma" dos Incêndios de Pedrógão Grande, em 2017. No Fórum TSF desta segunda-feira, associações questionaram a resposta do Governo para ajudar as pessoas afetadas pelo temporal.
A água nunca faltou no concelho de Pedrógão Grande, com a barragem do Cabril ao lado, mas a luz e as comunicações ainda faltam em muitas aldeias. Por isso, a presidente da Associação de Vítimas do Incêndio de 2017, Dina Duarte, começou por apelar "para que alguns dos geradores venham para este território".
"As telecomunicações ligam-nos ao mundo, quebra o isolamento. (...) Há muitas linhas elétricas no chão, de baixa tensão e de média tensão. Nós não somos tontos. Somos pessoas perspicazes que percebemos que não vai ser rápido [restabelecer as comunicações], mas já é demasiado tempo sem um luxo, sem um conjunto de condições para estarmos ligados ao mundo", afirmou.
Lembrando os dias após incêndio de 2017 em Pedrógão Grande, Dina Duarte alertou ainda para os efeitos desta intempérie na saúde mental da população e lamentou que o país continue sem estar preparado para calamidades.
"Sempre que vem uma calamidade destas ficamos, obviamente, no passado. Voltamos novamente à dor, ao trauma. Não estávamos preparados em 2017 e não estamos agora. É lamentável que as respostas sejam porque há pressão mediática."
O Governo anunciou no domingo um pacote de apoios de 2500 milhões de euros para mitigar os danos causados pela tempestade Kristin, destinando-se esta verba à recuperação de infraestruturas, apoio a empresas e auxílio a famílias afetadas, incluindo a reconstrução de habitações sem seguro.
O presidente da Associação Empresarial de Portugal, Luís Miguel Ribeiro, espera que estes apoios não demorem a chegar e deixou uma chamada de atenção em relação às linhas de crédito que, disse, "devem ter uma componente de reforço de capital". "Ou seja, as empresas terem uma parte para reforçar os capitais próprios e, por isso, não ser só mais dívida, porque isso não tem uma solução no imediato e tem um problema no futuro."
"A outra componente é a componente do apoio ao emprego e esta também é fundamental, porque nós sabemos que neste momento as empresas vão ter aqui um período difícil. Esta medida de lay-off simplificado é importantíssima", acrescentou.
Já o diretor-executivo da Associação Empresarial da Região de Leiria, Henrique Carvalho, disse que não pode haver só dívida, têm de existir apoios aos empresários.
"É uma primeira apreciação positiva, sem dúvida, mas que terá que ser complementada a breve prazo com outras medidas que tenham apoios de diferente natureza, que não passem na grande medida por um conjunto de linhas de crédito", concluiu.
