
Créditos: Paulo Novais/Lusa
Questionado pela TSF sobre a possibilidade da A1 ficar submersa, o hidrobiólogo Adriano Bordalo e Sá reconhece que essa é uma possibilidade, mas atira: "Para a autoestrada ficar completamente submersa, é certo que a ponte era efetivamente baixa. Nunca devia ter sido feita assim"
"Felizmente que o [dique] que rebentou foi na margem direita." O hidrobiólogo Adriano Bordalo e Sá considera que a rutura de um dos diques do Rio Mondego poderia ter tido consequências mais graves caso tivesse ocorrido na margem onde as habitações se encontram mais próximas do canal. E identifica ainda um efeito positivo para as culturas agrícolas.
Em declarações à TSF, o especialista explica que o facto de o dique ter cedido na margem direita do rio permitiu evitar impactos nas povoações de Casais, Corujeira, Ribeira de Frades - que estão na margem esquerda. "Foram, para já, poupadas porque o dique não rebentou ainda. E, se rebentar aí, estas pessoas vão ter de sair. E isto não são cem pessoas, não são mil pessoas, são muitas mais", vinca.
Esta ocorrência alivia até, por outro lado, a pressão do lado esquerdo, sendo que, neste caso, são os campos a norte que são inundados. Para ilustrar este argumento, recorre ao exemplo de um balão cheio de ar, no qual é feito um furo em apenas num dos lados: "Vemos o ar a sair todo pelo [lado] onde tem o furinho. E, do outro lado, ainda se vai mantendo mais ou menos." Ainda assim, reconhece que, se a pressão for contínua, há um momento em que "rebenta tudo".
A zona afetada pela rutura na margem direita é essencialmente agrícola. Apesar de existirem algumas infraestruturas de estufas que terão ficado danificadas, há também um aspeto positivo a destacar: "Os campos a norte, com esta água toda, estão a ser fertilizados", afirma.
Isto porque a água transporta "aluviões", que funcionam como fertilizantes naturais. Tratando-se de uma área de regadio, os prejuízos iniciais poderão, assim, ser minorados.
"Se forem feitas estas contas, poderá não ser tão grave quanto parece", esclarece.
Quanto à possibilidade de a Autoestrada 1 (A1) ficar submersa, o hidrobiólogo lamenta que não se tenha tido em conta a possibilidade de ocorrências de cheias quando a ponte da A1 foi construída. "Para a autoestrada ficar completamente submersa, é certo que aqui o viaduto, ou seja, a ponte da autoestrada era efetivamente baixa. Nunca devia ter sido feita assim. Mas pode haver efetivamente haver esse risco", admite.
O risco de novas ruturas é também um dos cenários admitidos pela Proteção Civil e pelo próprio primeiro-ministro. No pior dos casos, isto pode significar que o dique da margem esquerda acaba por inundar a parte sul do canal do Mondego e, consequentemente, atinge as populações de Casais, Ribeira de Frades ou mesmo a Corujeira.
"Porque, na margem esquerda, na parte sul, as casas estão muito mais próximas do canal do Mondego do que na margem que neste momento está mais afetada com a rutura do dique, que é a margem norte, o dique da margem direita", sustenta.
